Arte

Depois de protestos, 32ª Bienal de São Paulo abre para o público nesta quarta-feira

Exposição tem como título "Incerteza viva" e participação de 81 artistas

Por: Estadão Conteúdo
07/09/2016 - 09h10min | Atualizada em 07/09/2016 - 09h10min

Os visitantes do Ibirapuera encontrarão, até dezembro, algumas pinturas geométricas espalhadas pelo parque. Os painéis coloridos são, na verdade, obras do artista e poeta carioca Wlademir Dias-Pino, um dos 81 participantes da 32ª Bienal de São Paulo, que é inaugurada nesta quarta-feira para o público. Na inauguração para convidados, na terça, foi realizado um novo protesto contra o governo Temer e a favor de novas eleições para presidente.

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A exposição, sob o título Incerteza viva, ocorre não apenas no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o Pavilhão da Bienal, que abriga mais de 300 trabalhos de criadores de 33 países, como também se estende para as cercanias do edifício projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Arrogation, por exemplo, a pista de skate branca criada pela sul-coreana Koo Jeong A, promete ser uma atração de destaque do evento — e poderá ser usada por skatistas até o fim da mostra, em 11 de dezembro.

Desde o início da concepção do projeto da 32ª Bienal, a ideia de jardim tornou-se "metáfora e metodologia", como afirma o curador-geral, Jochen Volz, para o desenvolvimento da edição. Sendo assim, a relação da exposição com o Ibirapuera é um ponto importante da edição e o próprio conjunto de esculturas feitas com restos de árvores pelo artista Frans Krajcberg, instalado já na entrada do pavilhão, transforma-se, ao remeter a uma espécie de floresta, em elo simbólico com o parque.

— Ecologias são muitas — afirmou uma das cocuradoras da 32.ª Bienal, Júlia Rebouças, na última coletiva de imprensa que apresentou, na última segunda-feira, a exposição para jornalistas brasileiros e estrangeiros.

As peças de Krajcberg, que cria seus trabalhos com madeira queimada, é também o seu "grito pela saúde do planeta". Mas, assim como ecologias são muitas, várias são as questões presentes na edição do evento, entre elas, a militância política, a noção de história e a criação de narrativas, os questionamentos sobre a extinção do mundo e das espécies, a imigração, a violência, e a necessidade de novos conhecimentos e processos de cura.

— A Bienal não é mais a principal janela para o mundo, é uma plataforma articuladora de pensamento crítico — disse Jochen Volz que convidou Júlia Rebouças e ainda a sul-africana Gabi Ngcobo, a mexicana Sofía Olascoaga e o dinamarquês Lars Bang Larsen como cocuradores da mostra.

Até mesmo o restaurante que funcionará durante o evento é uma obra — Restauro, de Jorge Menna Barreto, propõe aos visitantes uma nova alimentação com produtos orgânicos. Ao mesmo tempo, além de descobrir os trabalhos dos artistas participantes (70% deles criados para a mostra), a Bienal promoverá intensa programação pública até o seu encerramento.

Abertura teve protesto

Durante a abertura oficial para convidados, na terça, houve um novo protesto contra o presidente Michel Temer. Por volta das 17h, várias pessoas batendo palmas e gritando "Fora Temer, fora Temer" se reuniram no térreo do prédio da Bienal. Eles também estenderam faixas pedindo a saída do presidente.

Na segunda, em uma coletiva de imprensa para apresentar a mostra, um grupo de artistas já havia se manifestado.

 
 
 
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