Artes gráficas

Acervo do cartunista SamPaulo será doado para a PUCRS nesta segunda

Documentos do criador do personagem Sofrenildo ficarão aos cuidados do Espaço Delfos de Documentação e Memória

15/05/2017 - 06h00min | Atualizada em 15/05/2017 - 06h00min
Acervo do cartunista SamPaulo será doado para a PUCRS nesta segunda Instituto Delfos/PUC/Divulgação
Documentos doados incluem fotos, originais e até mesmo itens pessoais Foto: Instituto Delfos/PUC / Divulgação  

Em vida, o artista gráfico Paulo Gomes de Sampaio, o SamPaulo (1931 – 1999), foi um pioneiro — seu livro Humor do Primeiro ao Quinto, por exemplo, de 1963, é considerado o primeiro volume de cartuns publicado no sul do Brasil. Agora, a obra de SamPaulo repete o pioneirismo, já que seu acervo de documentos e originais será o primeiro de um artista gráfico a ser incluído no Espaço Delfos de Documentação e Memória, da PUCRS. 

Nesta segunda-feira (15), às 14h, a família de SamPaulo deve formalizar a doação do material para o banco de dados da universidade, que reúne também originais de escritores como Caio Fernando Abreu, Moacyr Scliar e Dionélio Machado, entre mais de 50 outros.

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— O acervo de SamPaulo é significativo. São 25 caixas-arquivo, reunindo um material bastante heterogêneo. Há fotos, originais e até mesmo documentos pessoais, como boletins de escola, crachás e carteiras funcionais. Há também o manuscrito de uma autobiografia — enumera o coordenador-executivo do Delfos, o professor Ricardo Barberena. 

Artista foi o criador do popular Sofrenildo

Sampaulo foi um dos mais respeitados cartunistas da imprensa nacional Foto: PUCRS / Divulgação

Nascido em 1931, em Uruguaiana, e irmão do também artista gráfico Sampaio, falecido em janeiro deste ano, SamPaulo começou a carreira no jornal Clarim, em 1955, e pelas quatro décadas seguintes consolidou seu nome como um dos mais populares e respeitados desenhistas de imprensa, com passagens por veículos como Revista do Globo e os jornais Diário de Notícias, Folha da Tarde, Correio do Povo, Folha da Manhã e Zero Hora. 

Criou, nos anos 1960, um personagem que se tornou central no imaginário gaúcho, o Sofrenildo, um tipo popular e de bom coração, mas perseguido por um azar de proporções épicas que o faz marcar passo — não à toa, o personagem foi apropriado por uma massa de leitores como um retrato do brasileiro.

Após a morte de SamPaulo, em 1999, seus documentos e originais ficaram com a viúva, Eneida Sampaio. Por morar no litoral e temer pela conservação do acervo, todo em papel, ela o entregou para a sobrinha do autor, a arquiteta Maria Lúcia Sampaio, que foi, aos poucos, digitalizando trabalhos do artista. Em maio de 2012, Maria Lúcia iniciou um blog em que compartilhava parte do material.

— O blog começou a ser um sucesso. Primeiramente, alguns blogueiros jornalistas amigos do SamPaulo divulgaram e eu criei um evento no Facebook pedindo que visitassem. E ele cresceu exponencialmente. Está hoje com 87 mil acessos — diz Maria Lúcia.

O blog motivou os primeiros convites para levar o material ao Delfos, o que finalmente foi acertado este ano.

— SamPaulo retratava e criticava a realidade com humor, com ironia, com perspicácia e, de uma forma simples, chegava facilmente aos seus leitores. Em geral, se tem a ideia de que esta é uma tarefa que cabe, exclusivamente, à palavra. Quem sabe é por isso que há mais cuidado na preservação do acervo de quem lida com ela? Assim, considero que a PUCRS está dando um passo à frente quando reconhece a importância que tem a charge para melhor entendermos a realidade que nos cerca e a nossa história — diz Maria Lúcia.

 
 
 
 
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