Arte à beira-rio

Após crise, Iberê Camargo turbina programação nos fins de semana

Museu situado na orla volta a abrir as portas ao domingo e aposta em novos projetos multimídia

08/07/2017 - 20h01min | Atualizada em 09/07/2017 - 12h52min
Após crise, Iberê Camargo turbina programação nos fins de semana André Feltes/Especial
Foto: André Feltes / Especial  

Privilegiado por uma das mais belas paisagens do Sul do país, bonito por natureza, o museu Iberê Camargo vive um momento de retomada.Após uma crise financeira que reduziu recursos e o número de visitantes — de 71 mil (em 2014) para 53 mil (em 2016) — a Fundação Iberê Camargo resolveu turbinar sua interação com o público. O museu, situado à beira do Guaíba, vai reativar neste fim de semana as visitas aos domingos. E foi abençoado pelo clima: no sábado, o dia de sol a pino e céu azul atraiu uma multidão para a proximidade do rio e para o pôr do sol junto à instituição que homenageia um dos mais célebres pintores gaúchos.

Fosse vivo, Iberê Camargo — que flertava com o teatro, a escultura e todas as artes — certamente desfrutaria dessa multidisciplinaridade que agora toma conta do museu. O sábado teve palestra sobre Marte e navegação no espaço (a cargo da cientista aeroespacial Thaís Russomano), música eletrônica (com Raquel Krügel) e uma performance estética (chamada Carta Magna) com o ator e figurinista Déh Dullius, que interagiu com os frequentadores do museu. Tudo isso de forma paralela à visitação às obras do museu, que conta com duas exposições que irão até 12 de agosto: No Drama, do próprio Iberê Camargo (falecido em 1994), e Depois do Fim, de arte contemporânea, com curadoria de Bernardo José de Souza.

Uma verdadeira multidão prestigiou essa nova faceta do Iberê, que já vem colhendo frutos de visitas noturnas (outra novidade, esporádica). Tudo receita de uma consultoria que sugeriu a interação maior com o público e a promoção de ações interligadas a outras áreas artísticas, de forma a que o prédio seja dissociado da ideia de "apenas um museu", para tornar-se um espaço expositivo plural.

Uma pluralidade que agrada sobretudo jovens, como as estudantes Bruna Aroise, 16 anos, e Ana Ferreira, 14 anos. As duas passaram a tarde entre fotos no Iberê e miradas na paisagem deslumbrante à beira-rio.

— Muito legal, vim pela terceira vez e quero mais. A arquitetura daqui é incrível e as obras...nossa! — descreve Bruna.

Ana gostou mesmo foi dos quadros de Iberê.

— Instigantes. Bonitos — resume.

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Nesse contexto têm crescido os seminários e debates promovidos pela fundação. Entre as novas iniciativas estão o Sarau na Iberê —  com escritores, acadêmicos, jornalistas e artistas — e RODA, rodadas de conversa para debater assuntos atuais, relacionados à cultura, estética, história e política, que contam com a participação de artistas e intelectuais dos diversos campos do conhecimento. A programação é gratuita, mas são aceitas contribuições do público para manter o museu (a sugestão é R$ 15 por pessoa).

Quer conferir? Neste domingo, a visitação abre para o público às 14h, e às 15h acontece a primeira edição de RODA, com A hipótese do Apocalipse: conversa em torno de "Apocalipopótese" (1968), de Hélio Oiticica, com Victor Gorgulho. Às 16h tem Cine Iberê com exibição de "Abrigo Nuclear", de Roberto Pires, um dos raros filmes de ficção científica da década de 80. Pra fechar o domingo, às 17h tem Sarau na Iberê, comandado por Leo Felipe, com textos de Eve Sedgwick, William S. Burroughs, Valerie Solanas, Salvador Dalí, Roberto Piva, Gilles Deleuze e Félix Guattari.


 
 
 
 
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