Estranheza

"Eliminar as dificuldades jamais pode significar desrespeitar o outro e suas crenças", diz Arquidiocese de POA sobre mostra "Queermuseu"

Instituição divulgou nota sobre exposição que foi cancelada no Santander Cultural

11/09/2017 - 15h33min | Atualizada em 11/09/2017 - 15h39min
"Eliminar as dificuldades jamais pode significar desrespeitar o outro e suas crenças", diz Arquidiocese de POA sobre mostra "Queermuseu" Tadeu Vilani/Agencia RBS
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS  

A Arquidiocese de Porto Alegre manifestou "estranheza" em nota sobre a exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, que estava em cartaz no Santander Cultural, mas foi cancelada no último domingo (10). A instituição atendeu ao movimento de protesto de entidades e pessoas que avaliaram a mostra como ofensiva, por razões que vão de "blasfêmia" no uso de símbolos católicos à difusão de "pedofilia" e "zoofilia" em alguns dos trabalhos expostos.

O comunicado publicado no site da Arquidiocese indicou que a exposição utilizou "de forma desrespeitosa símbolos, elementos e imagens, caricaturando a fé católica e a concepção de moral que enleva o corpo humano e a sexualidade como dom de Deus".

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Na nota, a Arquidiocese relatou ter assistido a ataques discriminatórios à cultura judaico-cristã que contribuiu na formação cultural do ocidente. 

"Em tempos de terrorismo e intolerância, não se constroem pontes com agressão e desrespeito pelo o que é mais íntimo e sagrado no outro: sua fé e seu corpo", diz a publicação.

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Leia a nota na íntegra:

"A comunidade de fé na Arquidiocese de Porto Alegre manifesta sua estranheza diante da promoção da exposição realizada junto ao Santander Cultural, na capital gaúcha, que utiliza de forma desrespeitosa símbolos, elementos e imagens, caricaturando a fé católica e a concepção de moral que enleva o corpo humano e a sexualidade como dom de Deus.

É urgente combater o preconceito e a discriminação em todas as suas manifestações. Nesse sentido, em nome da pluralidade e do respeito às minorias, temos assistido ataques discriminatórios à cultura judaico-cristã que contribuiu na formação cultural do ocidente. Eliminar as dificuldades jamais pode significar desrespeitar o outro e suas crenças, especialmente porque, ao se tratar do imaginário simbólico da fé, entra-se num campo delicado de significados e sentidos que a ninguém é dado o direito de desprezar. Em tempos de terrorismo e intolerância, não se constroem pontes com agressão e desrespeito pelo o que é mais íntimo e sagrado no outro: sua fé e seu corpo.

Continuemos trabalhando por um humanismo solidário com uma atitude de paz que não precisa agredir e ofender quem tem pensamento diferente. São Francisco de Assis, medieval e cristão que continua a iluminar a contemporaneidade, ensina-nos a ver o outro como irmão e nos faça a todos instrumentos de paz!

Porto Alegre, 11 de setembro de 2017

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre"



 
 
 
 
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