Cinema

"Mate-me por favor" flerta com o cinema de gênero e mistura suspense e mistério

Primeiro longa da diretora Anita Rocha, o filme está em cartaz em Porto Alegre

16/09/2016 - 07h03min | Atualizada em 16/09/2016 - 07h03min
"Mate-me por favor" flerta com o cinema de gênero e mistura suspense e mistério Imovision/Divulgação
Foto: Imovision / Divulgação

Premiada diretora de curtas como Os mortos-vivos, exibido em 2012 na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, a carioca Anita Rocha da Silveira estreia no longa com o estranho Mate-me por favor. Como em seus títulos anteriores, a realizadora do filme que entrou em cartaz na Capital flerta com o cinema de gênero, misturando suspense e mistério para contar a história de um grupo de adolescentes que depara com a violência, o desejo e o medo em seu cotidiano na escola e em meio aos condomínios da Barra da Tijuca.

Exibido na mostra Orizzonti do Festival Internacional de Veneza, Mate-me por favor acompanha o impacto que uma sequência de misteriosos assassinatos de jovens mulheres na zona oeste do Rio causa na rotina e nos conflitantes anseios e sensações de uma turma de estudantes de cerca de 15 anos. Em um passeio entre as aulas, Bia (Valentina Herszage) e suas amigas Renata (Dora Freind), Michele (Julia Roliz) e Mariana (Mariana Oliveira) – premiadas em conjunto em Veneza com o Bisato d'Oro, distinção paralela da crítica independente – acabam encontrando uma das vítimas agonizando em um terreno baldio, depois de ter sido estuprada e esfaqueada. O episódio impressiona especialmente Bia, que sente despertar em si uma morbidez aliada a uma pulsão sexual quase incontrolável.

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Como pano de fundo, está a vida na bolha dentro de empreendimentos imobiliários que ignoram o mundo exterior e o vácuo emocional e moral deixado pela autoridade adulta – pais e professores nunca aparecem em cena –, ocupado pela pregação evangélica de uma caricata pastora pouco mais velha do que seu rebanho juvenil.

Além da afinada atuação do elenco estreante – com destaque para Valentina Herszage, que imprime verossimilhança a sua complexa personagem –, vale ressaltar em Mate-me por favor a fotografia, a edição de som e a montagem. Se a opção por excluir da narrativa aquelas figuras que não fazem parte do convívio da garotada remete aos filmes sobre adolescentes dos diretores americanos Gus Van Sant, Larry Clark e Harmony Korine, o registro entre a radiografia urbana e social da classe média brasileira e uma alegoria enigmática e quase fantástica evoca inescapavelmente O som ao redor (2012). No entanto, faltou à diretora Anita Rocha da Silveira em seu primeiro longa a contundência dramática e a fluidez narrativa que o cineasta Kleber Mendonça Filho alcançou naquele filme ao abordar tantos temas de maneira enviesada e reticente.

Mate-me por favor
De Anita Rocha da Silveira
Suspense, Brasil 2015, 101min, 14 anos.
Em cartaz.
Cotação: 3/5


 
 
 
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