Cinema

Tom de deboche marca "O roubo da taça", comédia premiada no 44º Festival de Gramado 

Baseado no desaparecimento da Taça Jules Rimet em 1983, o longa do diretor e roteirista Caíto Ortiz entra em cartaz nesta quinta (8/9)

07/09/2016 - 18h00min | Atualizada em 07/09/2016 - 18h00min
Tom de deboche marca "O roubo da taça", comédia premiada no 44º Festival de Gramado  Paris Filmes/Divulgação
Danilo Grangheia, Paulo Tiefenthaler, Taís Araújo e a Jules Rimet Foto: Paris Filmes / Divulgação

Se fosse um filme, o roteiro seria rotulado de implausível: no dia 19 de dezembro de 1983, três ladrões pés-de-chinelo invadiram a sede da Confederação Brasileira de Futebol no Rio e roubaram a Taça Jules Rimet da sala da presidência, onde deveria ficar exposta sua réplica – a cópia, porém, estava bem guardada em um cofre, no lugar da original. O icônico troféu conquistado pela Seleção Brasileira em três Copas do Mundo, feito que garantiu ao país o privilégio de permanecer definitivamente com a peça, teria sido então derretido por um ourives, acreditem, argentino. Pois essa tragicomédia de fatos que desafiam a realidade serviu de base para O roubo da taça, que entra em cartaz nesta quinta (8/9) na Capital. O longa do diretor e roteirista Caíto Ortiz participou na semana passada do 44º Festival de Gramado, levando os Kikitos de melhor roteiro, fotografia, direção de arte e ator – recebido por Paulo Tiefenthaler, que encarna o mentor intelectual do ultrajante crime.

Orçado em R$ 6,8 milhões e com produção do serviço de streaming Netflix, O roubo da taça anuncia na tela logo no início: "Uma boa parte disso realmente aconteceu". Na ficção, o trio de assaltantes foi reduzido a dois personagens: Peralta (Tiefenthaler) e Borracha (Danilo Grangheia), que decidem surrupiar a réplica da Jules Rimet para levantar algum dinheiro e pagar dívidas de jogo. Mas os dois não contavam com a patetice da CBF e seu presidente (Stepan Nercessian), que deixaram a verdadeira taça atrás de uma vitrine blindada presa apenas com um prego. Perseguidos por um policial casca-grossa (Milhem Cortaz), os ladrões trapalhões tentam vender a relíquia dourada para um picareta portenho marrento – interpretado pelo engraçadíssimo ator argentino Fabio Marcoff, conhecido pela série No divã do Dr. Kurtzman, exibida pelo Canal Brasil. Na história, o cafajeste Peralta é casado com a exuberante Dolores, vivida com graça e sensualidade por Taís Araújo.

– O Peralta é a decadência da malandragem carioca – resumiu na coletiva do filme no festival serrano o histriônico Tiefenthaler, que ficou conhecido apresentando o programa de receitas culinárias sem-noção Larica total, também no Canal Brasil.

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O destaque de O roubo da taça é sua galeria de tipos engraçados, interpretada por bons atores como o diretor de teatro Hamilton Vaz Pereira – em divertida atuação como o afetado mafioso agiota Bispo. Também vale ressaltar a primorosa reconstituição de época e a pesquisa histórica do filme – que se refletem também no humor bagaceiro e sem preocupações com correção política, característica do período. Ainda que o roteiro perca fôlego no meio do caminho, deixando alguns personagens e eventos mal resolvidos, o tom anárquico e meio farsesco de O roubo da taça é condizente com a bizarrice do episódio original. 

– A realidade é mais enrolada ainda do que a gente mostrou, aconteceram muito mais coisas. A história até hoje é mal contada, a Fifa inclusive começou agora a procurar oficialmente a taça. Ninguém sabe onde foi parar o ouro derretido. Os fatos mais malucos do filme são verdade – disse o diretor Caíto Ortiz.


 
 
 
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