
O documentário Lampião da Esquina, que entra em cartaz no CineBancários, conta de forma didática e bem humorada a trajetória do jornal homônimo, pioneiro no Brasil na veiculação de temas e pautas homossexuais. Na esteira da liberação dos costumes na década de 1970 – especialmente da então crescente organização do movimento homossexual no Brasil –, o tabloide desempenhou um papel central na difusão dessa pauta no país entre 1978 e 1981, em suas 37 polêmicas edições. O filme da diretora Lívia Perez retraça a história do representante gay – ou "guei", como o Lampião escrevia – da chamada imprensa nanica nacional por meio de depoimentos de antigos colaboradores, com destaque para dois de seus principais idealizadores: o jornalista Aguinaldo Silva, que antes de se notabilizar como autor de novelas globais concebeu no Rio de Janeiro o jornal, e o escritor João Silvério Trevisan, organizador da publicação de São Paulo.
Leia mais:
Peter Vaughan, ator de "Game of thrones", morre aos 93 anos
Sequência de "Cinquenta tons de cinza" ganha trailer repleto de cenas de sexo
"Último tango em Paris" segue provocando debate 44 anos depois
O pano de fundo de Lampião da Esquina – o longa relembra que o nome surgiu como referência aos postes de rua, mas acabou também evocando o célebre cangaceiro – é a situação política, comportamental e sexual do país na época. Entrevistados como o cantor Ney Matogrosso, o poeta Glauco Mattoso e a cartunista Laerte Coutinho recordam como Lampião deu voz a um clima de aberta manifestação da sexualidade, apesar – ou talvez por causa – da ditadura. Com o tempo, outras bandeiras ganharam espaço na publicação, como o feminismo e a militância negra – mas divergências ideológicas acabaram por dividir o grupo original, precipitando o fim do mais esfuziante órgão de imprensa brasileiro.
Lampião da Esquina
De Lívia Perez
Documentário, Brasil, 2016, 82min.
Estreia nesta quinta no CineBancários, com sessões às 19h.
Cotação: 3/5