Cinema

"As Falsas Confidências": filme francês fala sobre embaraços amarosos e questões éticas

O diretor Luc Bondy trouxe aos cinemas o elenco da montagem teatral homônima do dramaturgo Marivaux

13/04/2017 - 15h10min | Atualizada em 13/04/2017 - 15h10min
"As Falsas Confidências": filme francês fala sobre embaraços amarosos e questões éticas As falsas confidências/Divulgação
 Isabelle Huppert e Louis Garrel em "As Falsas Confidências " Foto: As falsas confidências / Divulgação  

O longa-metragem As Falsas Confidências (2016) reúne ícones de três gerações do cinema francês: a veterana Bulle Ogier, a diva Isabelle Huppert e o jovem galã Louis Garrel. A produção é um telefilme realizado pelo suíço Luc Bondy (1948 – 2015) a partir da peça homônima de Marivaux (1688 – 1763) que dirigiu com o mesmo elenco. A montagem foi encenada em Paris em 2014, no Théâtre de l¿Odéon, comandado por Bondy entre 2012 e 2015. O filme foi rodado durante o dia nas depende¿ncias do Ode¿on e em seus arredores; à noite, os mesmos atores apresentavam no palco a clássica comédia amorosa, adaptada para os tempos atuais. As Falsas Confidências é uma das estreias da semana nos cinemas – está em cartaz no Espaço Itaú 2 e no Guion Center 1.

Na trama, Dorante (papel de Louis Garrel) é um aspirante a advogado sem dinheiro que assume a posição de secretário na casa onde vive Araminte (Isabelle Huppert), uma viúva rica e bastante atraente. Em parceria com Dubois (interpretado por Yves Jacques), empregado da mansão, Dorante participa de um ardiloso esquema com o objetivo de que a herdeira se apaixone por ele. Cortejada pelo poderoso conde Dorimont (Jean-Pierre Malo) com a bênção de sua própria mãe (Bulle Ogier), a madura Araminte fica envaidecida com a suposta admiração do belo e jovial Dorante. Em meio a avanços, reveses e alguns mal-entendidos, o plano de conquistar o coração de Araminte levanta uma dúvida: se Dubois é movido somente pela ganância, Dorante não estaria realmente amando a patroa?

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O prazer dos atores em cena é evidente e contagiante – o clima de farsa galante contribui para que Isabelle, Garrel e todo o restante do grande elenco interpretem com desembaraço as cenas ligeiras e os diálogos espirituosos da comédia de erros, que se encerra no proscênio do Odéon.

Como em outras peças de Marivaux – e também dos mestres Molière e Beaumarchais –, As Falsas Confidências coloca burgueses, empregados e aristocratas em meio a uma ciranda sentimental e moral que revela com alguma ironia a hipocrisia própria de cada uma dessas classes. A obra do trio de comediógrafos franceses, aliás, serviu de base para uma memorável produção operística no século 18, da qual se destaca As Bodas de Fígaro – em uma das sequências do filme, Dubois está na cozinha ouvindo no rádio um trecho da célebre ópera bufa de Mozart.

O imbróglio amoroso da história de As Falsas Confidências acrescenta, por fim, uma questão ética particularmente intrigante: a mentira e a dissimulação podem ser justificáveis em nome de um bem maior e da felicidade?

AS FALSAS CONFIDÊNCIAS
De Luc Bondy
Comédia dramática, França, 2016, 85min.

 
 
 
 
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