23º Poa Em Cena

Grace Passô protagoniza o solo "Vaga carne" em elogiado desempenho

O espetáculo trata da relação entre o poder de fala e o corpo da mulher

19/09/2016 - 05h04min | Atualizada em 19/09/2016 - 15h30min
Grace Passô protagoniza o solo "Vaga carne" em elogiado desempenho Lucas Ávila/Divulgação
Grace Passô na montagem "Vaga carne" Foto: Lucas Ávila / Divulgação

Um corpo sem voz encontra uma voz sem corpo. Esse corpo é de uma mulher. O que ela tem a dizer, agora que pode falar? É esse o provocativo mote de Vaga carne, espetáculo em cartaz, de hoje até quarta-feira, no 23º Porto Alegre Em Cena.

O solo é uma criação da premiada dramaturga, diretora e atriz mineira Grace Passô. No palco, seu corpo é "possuído" pela voz, uma entidade imaterial capaz de invadir qualquer tipo de matéria – e que, pela primeira vez, resolve entrar em um corpo humano. Um corpo de uma mulher, apática e inerte, que não sabe nada sobre si e muito menos sobre como agir no mundo.

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– Gosto de dizer que o espetáculo é um campo para o jogo entre a palavra e o movimento – define Grace. – Uma performance onde uso a palavra como principal via de acesso ao que proponho. Há uma relação radical e direta entre eu e o público. Tudo que é dito é dito diretamente para a plateia.

Uma vez de posse do corpo desta mulher, a voz passa a sondar seu interior. O que passa pela sua cabeça? Quais os seus desejos, suas angústias, o que ela representa? São algumas das questões que movem a peça de Grace.

– É um texto que, quando sonda o que é esse corpo, toca em questões da nossa atualidade – explica a artista. – Ele não levanta, em primeiro plano, uma bandeira, mas agrega uma série de pensamentos em voga na política e nas militâncias que fazem parte do nosso tempo, usando a gramática do nosso tempo.

Apesar da discussão ser séria, o tom de Vaga carne não é o tempo todo soturno. Segundo Grace, humor e drama estão presentes durante todo o espetáculo, misturando-se da mesma forma como nos trabalhos que assinou e atuou durante 10 anos em que esteve à frente do grupo mineiro Espanca!.

Grace não nega (nem tenta fugir) do verniz político que Vaga carne carrega – apesar do texto de viés poético, como faz questão de ressaltar:

– Toda obra de arte é política quando trata de sociedade, não há como escapar disso.

Vaga carne estreia nesta segunda na Sala Álvaro Moreyra (Erico Verissimo, 307) e vai até quarta-feira, sempre às 19h. Os ingressos custam R$ 80.

 
 
 
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