Entrevista

Thomas Lebrun: "A dança deve sempre ser compartilhada"

Coreógrafo do espetáculo "Lied ballet", que será apresentado em Porto Alegre nesta sexta-feira, fala sobre seu trabalho

Por: Fábio Prikladnicki
07/10/2016 - 05h03min | Atualizada em 07/10/2016 - 05h03min

Vem da França o espetáculo Lied ballet, que será apresentado nesta sexta no Bourbon Country, com coreografia de Thomas Lebrun, diretor do Centro Coreográfico Nacional de Tours, na França. Neste trabalho para oito bailarinos, Lebrun combina duas referências do romantismo: o Lied, gênero erudito de canção sobre um poema, e o balé. As referências aludem a temas como morte, amor e solidão em uma obra que desafia dicotomias como erudito e popular, dança e teatro. A trilha sonora inclui músicas de Mahler, Berg, Schoenberg e Scelsi, além da composição original de David François Moreau. O espetáculo integra a programação da mostra FranceDanse Brasil 2016. Leia a entrevista concedida por Lebrun por e-mail.

LIED BALLET
Sexta-feira, às 21h.
Duração: 70 minutos.
Classificação: livre.
Teatro do Bourbon Country (Avenida Túlio de Rose, 80), fone (51) 3375-3700, em Porto Alegre.
Ingressos: R$ 50 a R$ 180. Desconto de 50% para os cem primeiros sócios do Clube do Assinante e 10% para os demais.
Ponto de venda sem taxa: bilheteria do teatro, das 10h até a hora da sessão.
Pontos de venda com taxa: site ingressorapido.com.br e call center 4003-1212.

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Entrevista: Thomas Lebrun, coreógrafo

Como você teve a ideia de misturar o Lied e o balé? Como essas duas formas se relacionam?
Minha ideia original era combinar duas grandes formas de romantismo: um romantismo musical, o Lied, e um coreográfico, o balé. Utilizar as duas formas para criar uma peça contemporânea utilizando a estrutura do balé romântico como base (especificamente seus atos: ato 1, ato 2, etc.), ao mesmo tempo usando textos daqueles poemas musicasis alemães como partitura.

Lied ballet foi criado para o 68º Festival de Avignon. No momento de apresentar o espetáculo em outros locais, como o Teatro do Bourbon Country, são necessárias adaptações?
Estamos em turnê com essa produção há dois anos agora, em diferentes espaços e países. De fato, foi criado a céu aberto em Avignon. E agora estamos apresentando apenas em palcos dentro de teatros. Mesmo assim, cada espaço é diferente e requer uma adatação técnica, às vezes até uma adaptação coreográfica, dependendo do tamanho do palco. Realizamos as adaptações onde quer que estejamos, no dia anterior ao da apresentação ou no mesmo dia. Às vezes é um pouco complicado.

Quais são as principais questões que inspiram as suas coreografias nos sentidos cultural, político e social?
É uma inspiração vinda mais da observação social do que cultural, eu acho. Assistir às pessoas, analisar seu comportamento na Europa ou em outro lugar. Viajar para o Exterior, trabalhar com bailarinos na China ou na Rússia, por exemplo. Todas essas experiências me movem e me fazem pensar. E encontram seu caminho instintivamente no meu trabalho. Mas, acima de tudo, meu trabalho é guiado pelo que e quem está ao meu redor: todos aqueles sobre os quais não sei e os meus bailarinos, com os quais compartilho muito.

Que tipo de treinamento o senhor oferece aos bailarinos? Que técnicas eles praticam para alcançar os resultados? E quantas horas de treino são realizadas?
Quando ensaiamos para uma nova criação, trabalhamos de seis a oito horas por dias; uma ou duas horas são dedicadas ao aquecimento. Às vezes, eu dou aulas para eles, e às vezes eles aquecem sozinhos. Sobre o treinamento, acho que o melhor seria tentar de tudo e, passo a passo, definir o que é mais adequado. Ficar aberto para toda possibilidade e conhecer a si mesmo.

Qual é a principal força de uma arte efêmera como a dança? Em um tempo no qual tudo é transmitido pela internet, qual a importância de se apresentar ao vivo, de estar fisicamente próximo do público em um teatro?
Não gosto de ter meu trabalho na internet, menos ainda as peças que ainda estão em turnê. Alguns trechos tudo bem, mas não a peça toda. A apresentação de uma performance coreográfica, para mim, é um momento único entre o público, os dançarinos e o coreógrafo, um encontro que ocorre no momento.

Alguns trabalhos de dança contemporânea podem ser bastante herméticos e de difícil apreensão. Em seu trabalho, o senhor se preocupa com o entendimento do público?
Acho que meu trabalho é acessível e aberto a todos. Pode perturbar e fazer as pessoas pensarem, mas é assim tanto para o público quanto para os profissionais. Para mim, a dança deve ser sempre compartilhada. É o que certamente me faz dizer que estou criando para os bailarinos tanto quanto para o público.

Você está familiarizado com bailarinos e coreógrafos brasileiros?
Sim. Trabalhei no Rio em 2009 com Flavia Tapias e o Grupo Tapias, onde conheci bailarinos que estou feliz de ver novamente no Rio desta vez. Também criei um solo para Alexandre Bado, de Porto Alegre, para o Festival de Avignon em 2010. Ele tem trabalhado na França e no Brasil desde então.

Poderia comentar sobre seu próximo projeto?
Estou trabalhando em Les rois de la pise ("Os reis da pista de dança"), uma produção que não tem nada em comum com Lied ballet. Uma produção em clubes noturnos, com seus frequentadores. Um universo todo novo!

 
 
 
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