Obituário

Morre o cineasta Andrzej Wajda

Cineasta polonês tinha 90 anos e deixa como legado filmes clássicos nos quais iluminou temas políticos e históricos

Por: Zero Hora
09/10/2016 - 20h58min | Atualizada em 09/10/2016 - 22h58min
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O polonês Andrzej Wajda, um dos mais importantes diretores europeus do período pós-II Guerra Mundial, morreu neste domingo, aos 90 anos, vítima de uma insuficiência pulmonar. Segundo meios de comunicação da Polônia, Wajda estava internado há vários dias em um hospital de Varsóvia.

Conhecido pelo tom humanista e político de seus filmes, Wajda deixa como legado clássicos como Cinzas e diamantes (1958), A terra prometida, (1975), O homem de mármore (1976) e O homem de ferro (1981), com o qual conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Ganhou um Oscar honorário em 2000 e teve quatro de seus longas representando a Polônia na disputa da estatueta de melhor filme estrangeiro.

Nascido na cidade de Suwalki em 6 de março de 1926, Wajda fez sua estreia na direção em 1955, com Geração, adaptação do livro do escritor Bohdan Czeszko, autor do roteiro, como qual abriu sua chamada Trilogia da Guerra, completada por Kanal (1957) e Cinzas e diamantes. O diretor destacou em seus filmes dois temas de seu particular interesse na conturbada história da Polônia no século 20: o período sob ocupação nazista, com as atrocidades cometidas pelas forças alemãs e os movimentos internos de resistência, e o posterior braço forte da União Soviética influindo nos rumos do país sob o regime comunista.

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Em O homem de mármore (1977), Wajda provocou os dirigentes poloneses contando a história de uma jovem estudante de cinema que realiza um documentário sobre pedreiro transformado em herói pelo regime. Ao fazer entrevistas com pessoas que conviveram com o personagem, surgem dúvidas sobre a veracidade dos fatos propagandeados, e a jovem passa a ser pressionada. A aclamação internacional de O homem de ferro trouxe problemas para Wajda, que passou um tempo exilado na França. O longa destaca o processo de gestação do Solidariedade, sindicado que promoveu greves históricas dos trabalhadores do porto de Gdansk e fez de seu líder, Lech Walesa, uma personalidade mundial — ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1983 e tornou-se, em 1990, o primeiro presidente eleito da Polônia após o colapso do regime comunista no Leste Europeu, trajetória que o diretor mostra na cinebiografia Walesa (2013), seu último trabalho exibido nos cinemas. Wajda também fez carreira política, exercendo mandato no senado entre 1989 e 1991 e no conselho presidencial para a cultura de 1992 e 1994.

Outro título importante recente do cineasta é Katyn (2007), encenação do massacre de mais de 20 mil poloneses pelos russos na II Guerra, episódio cercado pela controvérsia — por um tempo, a máquina de propaganda de Stalin atribuiu a Hitler a responsabilidade pelo genocídio. Wajda deixa como trabalho póstumo Powidoki, cinebiografia do artista de vanguarda Wladyslaw Strzeminski (1893 — 1952), com estreia prevista para março de 2017.

 
 
 
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