Entrevista

ÁUDIO: "Fora Temer" conseguiu unir a classe artística, diz Paula Lavigne

Empresária e produtora, que articula mobilização entre artistas pela saída do presidente, conversou com o programa "Timeline" nesta segunda-feira 

Por: Zero Hora
10/07/2017 - 12h47min | Atualizada em 10/07/2017 - 13h38min
ÁUDIO: "Fora Temer" conseguiu unir a classe artística, diz Paula Lavigne Fernando Young,Revista Trip/Divulgação
Foto: Fernando Young,Revista Trip / Divulgação  

A empresária e produtora Paula Lavigne participou do programa Timeline, da Rádio Gaúcha, na manhã desta segunda-feira (10). Ela falou na entrevista sobre a Campanha #342, ação que articula com um grupo  de artistas – inclui nomes como Renata Sorrah, Aline Moraes, Dira Paes, Letícia Sabatella, Fernanda Lima, Caetano Veloso, que é marido de Paula, entre outros – que pedem a saída do presidente Michel Temer. 

– Quando teve esse impeachment da Dilma, teve uma polarização na classe artística. Já o Temer conseguiu juntar todo mundo. Alguns queriam eleições diretas, outros não. Fizemos uma reunião aqui em casa, e o único consenso que chegamos foi o de "Fora Temer". Muita gente não quer ficar de braços cruzados em casa vendo o Brasil entrar em um buraco. Então começamos a nos mobilizar – explicou Paula. – É a primeira vez que um presidente é investigado por um crime. Não dá. Aécio já virou pizza. Se isso acontece também (com Temer), é toda uma desmoralização da Lava-Jato. Todo dia com o Temer é um prejuízo, ele muda e mexe no que quer. É muito custoso esse governo, está muito ruim – completou.

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De acordo com a empresária, no grupo há ideias diferentes sobre a condução de um novo governo após o afastamento do presidente:

– A unanimidade é o "Fora Temer", depois é cada um por si. Tem gente que acha que a eleição de diretas é melhor, outros preferem a indireta.

Na entrevista, Paula comentou sobre quando trabalhou com o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Câmara e que assumiria o lugar de Temer provisoriamente em caso de afastamento. Em 2007, ela gravou um vídeo institucional do Democratas.

– Meu contato era muito bom com ele. Ele contratou minha produtora para fazer um vídeo institucional e foi tudo ótimo, não tive nenhum problema. Acho que o Rodrigo é mais jovem, tem uma cabeça diferente, não é daquela corja do PMDB. Também não boto minha mão no fogo por ninguém, mas meu contato com ele foi o melhor possível. Acho que o Rodrigo pode fazer o papel do presidente tampão muito bem, fazer essa transição. Vou lutar por eleições diretas por questões de princípios. Acho que o povo tem que escolher o presidente – analisou. – Acho que o PT quer é deixar o Temer, porque quanto mais o Brasil for para o buraco, mais o Lula vem como grande salvador – concluiu.

Paula manifestou sua opinião sobre uma possível uma nova terceira eleição de Lula à presidência:

– Não acredito em partidos, acredito em pessoas. Não gostaria que o Lula voltasse, acho que ele fez um bom governo, mas com todas essas questões de corrupção não creio que seria bom voltar.

A empresária contou que o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, participou de um encontro com o grupo de artistas. Na reunião, ele foi questionado se não poderia se candidatar à presidência.

– Joaquim disse que não é político, que não tem jogo de cintura nem o cinismo que os outros políticos têm, que o Brasil não está preparado para ter um presidente negro. Mas continuamos insistindo nisso, o chamamos para uma nova reunião, com mais artistas. Acho que ele seria uma solução maravilhosa – disse Paula.

Na entrevista, Paula anunciou que será lançado ainda nesta segunda o site 342, para pressionar os deputados federais a votarem pela investigação de Temer. 342 é o número de votos necessários para afastar o presidente peemedebista.

O atual foco da campanha é que seja aceita pela Câmara dos Deputados a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer por corrupção passiva. Para isso, o grupo tem visado o deputado federal Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que é o relator da denúncia na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). 

Ouça a entrevista: 



 
 
 
 
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