Solidão intercontinental

Marcia Tiburi autografa "Uma fuga perfeita é sem volta" nesta sexta-feira em Porto Alegre

Marcia Tiburi apresenta, no novo romance, um brasileiro isolado em Berlim

07/10/2016 - 04h01min | Atualizada em 07/10/2016 - 04h01min
Marcia Tiburi autografa "Uma fuga perfeita é sem volta" nesta sexta-feira em Porto Alegre Simone Marinho/Record
Marcia Tiburi apresenta, no novo romance, um brasileiro isolado em Berlim Foto: Simone Marinho / Record

Na Praia do Campeche ou em Berlim, o isolamento e a dificuldade de comunicação são os mesmos. Pelo menos é assim para Klaus Wolf Sebastião, protagonista do novo romance da filósofa e escritora gaúcha Marcia Tiburi. Uma fuga perfeita é sem volta aborda sentimentos contemporâneos universais, como os frágeis vínculos de amizade em um mundo permeado por interesses e a relação com o corpo em tempos de valorização midiática da sexualidade.

Marcia estará em Porto Alegre nesta sexta-feira para um bate-papo seguido de sessão de autógrafos do livro. O encontro será realizado às 19h, na Livraria Cultura (Túlio de Rose, 80).

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Uma fuga perfeita é sem volta tem a ver com o meu último ensaio filosófico, chamado Como conversar com um fascista (2015). Os dois, cada uma a sua maneira, falam da questão do empobrecimento da linguagem, da incomunicabilidade, do individualismo e da solidão – explica Marcia.

O romance começa quando Klaus, brasileiro radicado em Berlim, onde trabalha como funcionário da chapelaria de um museu, liga para a irmã e descobre que seu pai está morto há meses. O personagem estava distanciado do pai, passando longas temporadas sem estabelecer contato. Mas, diante da notícia, Klaus tenta rever seu própria passado, buscando rastros de sua trajetória em Florianópolis.

Uma fuga perfeita é sem volta tem 600 páginas. Apesar da dimensão, é uma narrativa mais acessível do que Magnólia e Era meu esse rosto, romances anteriores da autora, que usavam uma estrutura mais hermética. A nova obra tem capítulos curtos, dispostos de modo linear. No entanto, há também espaço para momentos mais ousados, como a descrição do mundo onírico do protagonista.

– Não sei se os sonhos deveriam simplesmente ter mais espaço nas narrativas contemporâneas ou se os nossos pensamentos, o nosso modo tradicional de olhar para a vida concreta, não deveriam respeitar mais o ato de sonhar, seja como vivência do sono, seja como metáfora ética e política – afirma Marcia.

 
 
 
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