Literatura

Morre a escritora Elvira Vigna, aos 69 anos

Autora de "Nada a Dizer" e de "Foi o que Deu para Fazer em Matéria de História de Amor" tratava um carcinoma invasivo desde 2012

Por: Carlos André Moreira
10/07/2017 - 15h40min | Atualizada em 10/07/2017 - 17h10min
Morre a escritora Elvira Vigna, aos 69 anos Renato Parada/Divulgação
A escritora Elvira Vigna Foto: Renato Parada / Divulgação  

Morreu hoje em São Paulo a escritora Elvira Vigna, que, nos últimos 10 anos, havia se consolidado como uma das mais importantes autoras do país. A morte foi anunciada em uma publicação veiculada pela família no perfil da escritora no Facebook e em sua página oficial. Elvira tratava desde 2012 um carcinoma micropapilar invasivo. 

"Elvira foi uma pessoa incrível e a família pede que, caso desejem, a lembrem via literatura, que sempre foi sua grande paixão", diz a nota.

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Jornalista de formação, a carioca radicada em São Paulo Elvira Vigna estabeleceu uma profícua carreira como ilustradora e autora de livros infantis a partis dos anos 1970, em especial com a série Asdrúbal: O Terrível, quatro livros publicados entre 1971 e 1983 pela editora independente da própria autora, e mais tarde continuamente reeditados por casas grandes como a José Olympio

Apesar de também publicar ficção para adultos desde os anos 1980 (seu primeiro romance, Sete Anos e um Dia, é de 1988), foi só a partir dos anos 200o que Elvira passou a explorar com mais regularidade sua faceta de romancista, consolidando-se como uma das principais autoras em atividade no Brasil. 

"Parei de escrever livros, ficando só com jornalismo. Quando voltei aos livros, escrevia para adultos e não mais para crianças.", escreveu a autora na biografia que consta de seu site oficial. 

A partir de Deixei Ele Lá e Vim, de 2006, Elvira foi cavando um espaço próprio na literatura brasileira, com seus livros ácidos, escritos em uma prosa perturbadora e muitas vezes ávida por desdenhar as próprias armadilhas da ficção e os clichês de um romance. A consagração continuou. Nada a Dizer, obra elogiada de 2010, foi recebeu o prêmio de Ficção da Academia Brasileira de Letras e foi finalista do Portugal Telecom. Por Escrito, obra de 2014, ficou em segundo lugar no Prêmio Oceanos, e seu romance mais recente, Como se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas, lançado em 2016, recebeu o prêmio de prêmio APCA de Melhor Romance.

Também ensaísta e tradutora, Elvira Vigna se tornou autora referencial também por seu posicionamento firme em favor de um mercado literário com mais espaço para as mulheres escritoras. No ano passado, veio a Porto Alegre como um dos destaques da FestiPoa Literária. Vigna deixa ainda três novos livros no prelo. Um deles, a obra ilustrada Kafkianas, deve sair em breve pela editora Todavia. 

 
 
 
 
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