Música

Luto na música

Ticiano Osório: "Seus versos farão falta, sua dança fará falta"

Editor de ZH faz homenagem a George Michael, morto neste domingo, e relembra texto sobre o cantor publicado há quase 10 anos

Ticiano Osório

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Cantor britânico morreu "pacificamente" em sua casa, segundo comunicado de um assessor

Muito, muito triste.

Morreu um grande ídolo, um cantor excepcional, um músico excepcional, um letrista excepcional.

Sou um cara apaixonado por muitas das canções do tempo de Wham! e da carreira solo de George Michael – de Club Tropicana a Flawless, de Wake me up before you go-go a Outside, de I want your sex a Fastlove, de Last Christmas a Jesus to a child, de Father figure a Cowboys and Angels, de Freedom a Freedom 90, de Careless whisper a Heal the pain, de Outside a Flawless, de A different corner a Round here. E ainda há sua história de vida, a luta interna, a libertação, os deslizes que humanizavam o astro.

Tinha alma, tinha elegância, tinha despudor, tinha os dois pés na pista de dança e uma faca cortando o coração – sabia dançar até fazer doer os joelhos e também era bom para dor de cotovelo. Seus versos farão falta, sua dança fará falta. Na sua voz, a fossa transformava-se em algo celestial. Nossos corpos transformavam-se em uma espécie de espelho: queríamos imitar seus passos, seus movimentos.

Em 2007, escrevi um comentário em ZH sobre o lançamento do DVD comemorativo dos 25 anos da carreira do cantor e compositor, Revival Twenty Five. O disco duplo reúne 40 clipes, sendo sete do Wham!. Vão me acompanhar para sempre a doce tristeza de uma canção de Natal ("Last Christmas, I gave you my heart / But the very next day, you gave it away / This year, to save me from tears / I'll give it to someone special"), a dor desnorteadora de um romance interrompido unilateralmente ("Take me back in time maybe I can forget / Turn a different corner and we never would have met / Would you care / I don't understand it, for you it's a breeze / Little by little you've brought me to my knees / Don't you care"), a sofisticação e a sensualidade do antológico videoclipe de Freedom 90 (dirigido por David Fincher antes de virar um cineasta famoso e estrelado pelas supermodelos da época Linda Evangelista, Naomi Campbell, Christy Turlington, Tatjana Patitz e Cindy Crawford), a diversão e a vulgaridade do videoclipe de Outside (em que o cantor parodia o episódio que trouxe à tona sua homossexualidade: a prisão por atentado ao pudor – com um policial à paisana – em um banheiro público de Beverly Hills, em 1998; ao final do vídeo, dois tiras que coíbem atos obscenos acabam se beijando na boca), o frescor de Club Tropicana (uma síntese visual dos anos 1980), a vibração contagiante de Flawless (em que um quarto vira boate), a interpretação arrepiante de Kissing a fool, as recriações de Killer/Papa was a rolling stone e Roxanne...

Descanse em paz, George Michael.

Obrigado por tudo.


*ZERO HORA

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