Opinião

Celso Loureiro Chaves: Contratação de músicos da Ospa é luz no fim do túnel

Colunista fala sobre sinais de melhoria para a orquestra

04/09/2017 - 09h00min | Atualizada em 04/09/2017 - 09h00min

Na música de concerto, não sei qual é o equivalente do proverbial "luz no fim do túnel". Numa daquelas longuíssimas sinfonias de Mahler, talvez seja o momento em que nos damos conta de que em algum momento aquela música vai ter que acabar. 

Num dos minimalismos de raiz dos anos 1970, será quando fazemos mentalmente o exercício: ou acaba a música ou acaba o tempo. Sendo mais otimista: talvez seja uma daquelas acelerações de Beethoven que sinalizam que o fim está próximo... E, de repente, tudo realmente acaba. Sendo ainda mais otimista: e a perspectiva de ouvir uma música que se ama muito? Talvez seja essa a verdadeira luz no fim do túnel para as angústias do dia a dia.

Encenação da Ospa da ópera "Don Giovanni", de Mozart, foi um presente para Porto Alegre

Assim com a música de concerto, também com as orquestras. Agora mesmo, bons sinais vitais chegam lá dos lados da Ospa, tão imprensada no Rio Grande do Sul dos parcelamentos de salário, do desrespeito com as instituições culturais, dos cortes de fundações. Pois há luz no fim do túnel, acordes típicos de Beethoven. 

Músicos foram contratados, numa situação que leva os instrumentistas do provisório para o efetivo. A diferença é grande, pois traz estabilidade para os músicos e, evidentemente, para a própria orquestra. Era uma demanda antiga da orquestra, a recomposição dos seus quadros.

Quase ao mesmo tempo, houve esse Don Giovanni de Mozart, unanimemente elogiado por quem viu e ouviu o que a Ospa preparou. As primeiras óperas que assisti foram mesmo no Theatro São Pedro, e a ampliação do fosso da orquestra que foi feita agora faz com que o teatro recupere uma das suas atividades históricas. Note-se que a expressão "fosso da orquestra" não traz nenhum trocadilho embutido nela – é nome técnico!

E ainda outro sinal. Fala-se em transformar a Sala de Ensaios recentemente conquistada em sala de concertos, aberta ao público. A solução está longe de ser a ideal, mas pelo menos a Ospa poderá deixar sua vida itinerante e concentrar-se no que realmente importa, fazer música da melhor qualidade. Hoje há pouquíssimas orquestras brasileiras com acenos de luz ao fundo da escuridão, uns frágeis acordes conclusivos. Mas aí estão Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul. 

Ou seja, nem tudo está perdido. Ainda.

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