Saga nas telas

Adaptação para o cinema de O Tempo e o Vento terá grandes estrelas e figurino confeccionado na Fronteira

Filmagens do romance épico de Erico Verissimo começam no Rio Grande do Sul no próximo dia 26

Por: Carlos André Moreira e Marcelo Perrone*
12/03/2012 - 09h22min
Adaptação para o cinema de O Tempo e o Vento terá grandes estrelas e figurino confeccionado na Fronteira Mauro Vieira/
Leonardo Machado interpreta Marciano Bezerra Foto: Mauro Vieira  
Alguns dos atores que ilustram estas páginas [da edição impressa de ZH desta segunda-feira - veja no site em galeriajá estão caracterizados como seus personagens em O Tempo e o Vento, adaptação para o cinema do romance épico de Erico Verissimo que começa a ser filmada no Rio Grande do Sul no próximo dia 26 – são eles Leonardo Machado, Fernanda Carvalho Leite, Janaína Kremer e Mayana Moura.

Em meio aos ajustes finais da pré-produção nos locações de Pelotas e Bagé, parte do elenco realizou provas de figurino na Capital, quinta e sexta-feira passadas. Os atores que interpretam os principais personagens no filme dirigido por Jayme Monjardim, entre eles Fernanda Montenegro, Marjorie Estiano (ambas vivendo Bibiana em diferentes fases), Cléo Pires (Ana Terra) e Thiago Lacerda (Capitão Rodrigo) desembarcam no Estado nos próximos dias.

Usando como referência o texto original de Erico Verissimo, Zero Hora faz uma apresentação do elenco já confirmado resumindo as diferentes sagas que formam a narrativa de O Tempo e o Vento – o roteiro do filme é de autoria de Tabajara Ruas e Leticia Wierzchowski.

Estão previstas 14 semanas de filmagens no Estado, que serão complementadas nos estúdios do polo cinematográfico de Paulínia (SP). A base gaúcha da produção será a cidade cenográfica que reproduz a vila de Santa Fé, em Bagé. Quem assina a direção de fotografia é o carioca Affonso Beato, que já trabalhou com Pedro Almodóvar e Stephen Frears.


Missões Jesuíticas em 1745 - Um dos religiosos toma como protegido o menino Pedro, que será mais tarde conhecido como Pedro Missioneiro (vivido na fase adulta pelo argentino Martin Rodriguez).

No Continente em 1777 - Ana Terra (Cléo Pires) mora no rancho dos pais, Maneco (Luiz Carlos Vasconcelos) e Henriqueta (Cyria Coentro). É lá que aparece, ferido, Pedro Missioneiro. Pedro engravida Ana e é morto pelos irmãos da jovem, Horácio e Antônio (José Henrique Ligabue). O filho de Ana e Pedro também ganha o nome de Pedro. Numa viagem, o pai de Ana traz dois escravos (Apolonio e Alexandre Farias). Mais tarde, os homens são mortos e a casa é queimada por um bando de castelhanos. Ana se muda com a cunhada Eulália e os filhos de ambas para Santa Fé, pegando carona na caravana conduzida por Marciano Bezerra (Leonardo Machado).

Santa Fé a partir de 1828 - A jovem Bibiana (Marjorie Estiano) conhece o Capitão Rodrigo Cambará (Thiago Lacerda). Bibiana é filha de Pedro Terra e Arminda Terra (Áurea Batista). O capitão, recém-chegado à vila, instala-se em um quarto nos fundos da venda do Nicolau (Luís Franke) – quando o dono da casa está fora, o capitão se diverte deitando-se com a mulher de seu anfitrião, Paula (Fernanda Carvalho Leite). Rodrigo quer fazer a corte a Bibiana, também alvo das atenções de Bento Amaral (Leonardo Medeiros), filho do caudilho de Santa Fé Ricardo Amaral (José de Abreu). Bento e Rodrigo duelam depois de uma discussão – Rodrigo marca no rosto do adversário um “R” incompleto. Recuperado de um ferimento de bala recebido no duelo, Rodrigo insiste na corte a Bibiana, pedindo ajuda ao irmão dela, Juvenal (Cris Pereira) e ao Padre Lara (Zé Adão Barbosa). Rodrigo consegue a permissão para se casar com Bibiana, no Natal de 1829. Ele têm três filhos: Anita (que morrerá ainda criança), Bolívar e Leonor.

Santa Fé a partir de 1850 - Pedro Terra, o pai da agora madura Bibiana (Janaína Kremer), perde suas terras para um agiota de origem nortista, o corcunda Agnaldo Silva. A neta adotiva de Agnaldo, a jovem Luzia (Mayana Moura), vai morar em Santa Fé, no sobrado construído pelo homem no terreno em que antes ficava o rancho de Pedro Terra. É uma moça bonita, com modos de cidade grande, que se isola do restante da cidade. O que não impede que os primos Bolívar (Igor Rickli), filho do Capitão e de Bibiana, e Florêncio (Rafael Cardoso), filho de Juvenal Terra e Maruca, disputem a atenção da moça. A personalidade instável de Luzia e sua representação fazem referência ao mito gaúcho da Teiniaguá, uma princesa moura transformada por feitiço em salamandra e que tem o poder de seduzir os homens. Luzia escolhe Bolívar. Ambos se casam e têm um filho: Licurgo. Bolívar morre pouco depois do nascimento do filho, desobedecendo uma ordem de quarentena que pesava sobre o sobrado, e a infância do jovem será passada em uma disputa entre a avó e a mãe. Nesta época, o vigário de Santa Fé é o Padre Otero (Marcos Verza).

Santa Fé, junho de 1895 - O sobrado está sitiado pelas forças dos Amarais, partidários dos federalistas. Correligionário de Júlio de Castilhos, Licurgo (Marat Descartes) mantém sua família refugiada dentro da casa. A mulher, Alice (Elisa Volpatto), está prestes a dar à luz. A cunhada, Maria Valéria (Vanessa Lóes), irmã de Alice, pressiona-o para se render em nome da saúde da irmã. Pelos cantos da casa, suportam em silêncio os sofrimentos do cerco o pai de Alice e Maria Valéria, Florêncio (Danny Gris), e a avó de Licurgo, Bibiana (Fernanda Montenegro). No sobrado também estão aquartelados aliados e peões de Licurgo, como o capataz da estância do Angico, Fandango (Miguel Ramos), e o peão Antero, que tentará uma fuga desesperada do Sobrado para pedir ajuda ao Padre Otero (agora vivido por Girlei Pires).


Trabalho da Fronteira no figurino

Boa parte do figurino típico que será usado por protagonistas e figurantes do filme O Tempo e o Vento está sendo feito em Uruguaiana. Na cidade gaúcha da fronteira, artesãs locais fazem chiripás. Ao todo, 150 peças da indumentária serão enviadas para o Rio de Janeiro.

No atelier de Darlene Marina Oliveira, 54 anos, o trabalho começou em fevereiro. Ela é responsável por fazer a calça de baixo do chiripá. Foi descoberta por seu trabalho diferenciado com macramê (técnica de tecer fios que não utiliza nenhum tipo de maquinaria ou ferramenta), colocado na borda da calça usada pelo elenco. A profissional conta que ficou surpresa quando recebeu o telefonema da produção do filme, argumentando que nunca imaginou que seu trabalho fosse chegar tão longe. Foram enviadas fotos das roupas pelo figurinista, e Darlene usou a criatividade para incrementar o que foi pedido.

Entre as encomendas, quatro peças foram especiais:

— As calças dos chiripás do Thiago Lacerda, que vai interpretar o Capitão Rodrigo, a pedido do figurinista, são diferentes, muito mais trabalhadas que as outras. Sem contar que são as maiores, pois ele tem mais de 1m90cm. Além de ficar orgulhosa do meu trabalho, é uma renda extra — diz.

Darlene trabalha no material com a ajuda de uma amiga. Ela conta que manda as peças para o Rio em lotes de 50 calças. O último lote está sendo trabalhado e deve ser entregue na semana que vem. As calças são feitas de algodão cru e passam por um processo químico de envelhecimento.

* Colaborou Marina Lopes
 
 
 
 
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