Campeando as próprias origens

"Galpão Crioulo" comemora 30 anos com programa especial neste domingo

Aniversário marca também a despedida de Nico Fagundes da apresentação do programa

12/05/2012 | 09h53
"Galpão Crioulo" comemora 30 anos com programa especial neste domingo Emílio Pedroso/Agencia RBS
O show que vai ao ar neste e nos próximos dois domingos reuniu 38 artistas para interpretar 32 clássicos da música do Estado Foto: Emílio Pedroso / Agencia RBS

Galpão Crioulo, a música, é também a carta de intenções do Galpão Crioulo, o programa. Está logo ali na segunda estrofe: "Todos aqui são bem vindos / Todos aqui são irmãos / Para os aplausos e as palmas / Para o carinho das mãos". E neste domingo, a partir das 6h, na RBS TV, no especial que abre as comemorações dos 30 anos da atração, o espírito não poderia ser diferente: dentro e fora do palco, gaúchos e gaúchas de todas as querências festejam o aniversário de uma das maiores vitrinas da música gaúcha na televisão.

Gravado no Parque Municipal do Chimarrão durante a 12ª Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim), em Venâncio Aires, no último dia 6, o show que irá ao ar neste e nos próximos dois domingos reuniu 38 artistas para interpretar 32 clássicos da música do Estado. Canto Alegretense, Para Pedro, Querência Amada e Céu, Sol, Sul, entre outras, foram cantadas com reverência e entusiasmo pelo público que lotou o local.

Mas a festa começou bem antes, quando os músicos se encontravam nos bastidores e lá afinavam instrumentos, entornavam litros de chimarrão e colocavam as novidades em dia entre uma cantoria e outra. A reunião da nata da música regional gaúcha, porém, tinha mais um propósito, só revelado ao final da gravação. Depois de 30 anos à frente do Galpão, Nico Fagundes se despedia do programa. Em seu camarim, pouco antes de subir ao palco, o cantor, compositor e escritor revelou ao TV Show que aquele, sim, seria seu momento de maior emoção em três décadas:

– Completa-se um ciclo hoje. Eu me lembro com muita alegria e satisfação de todas as pessoas que trabalham com a gente, dos artistas e principalmente das plateias, sempre maravilhosas, sempre acolhedoras.

Nico relembrou programas em que apresentou a cavalo, em trem, em barco e até no lombo de um elefante. Na missão de levar a cultura gaúcha a outros pagos, só lamenta não ter gravado na Espanha e em Portugal.

– Mas estivemos até em Paris. Que programa inesquecível foi aquele – rememora.

Nos bastidores, o compositor Luiz Carlos Borges define a importância de Nico:

– O Nico não é local, é universal. É capaz de traçar um paralelo entre o folclore gaúcho e o dos esquimós. É uma figura sem par.

O sobrinho Neto Fagundes, que divide a apresentação do programa desde 2000 com o tio, se emociona ao falar da trajetória de Nico na TV e ressalta a honra que é assumir as rédeas da atração mais tradicional destes pagos (confira recado de Neto Fagundes ao final do texto).

– Tio, nunca te deixarei sair do coração do Galpão, com tuas ideias e teus ensinamentos. Não está saindo apenas um colega de trabalho, está se aposentando um gaúcho sem substituto, um apresentador sem comparação, um poeta de mão cheia. Fica tranquilo que vamos continuar juntos cortando estradas mais unidos do que nunca – escreve em parte da carta ao tio Nico, completando: – Se eu não estiver apresentando bem, fala que me esforçarei para melhorar. Mas, se eu estiver bem, espalha.

O Galpão Crioulo tem produção executiva de Fernando Alencastro, direção de Rosana Orlandi e produção de Gino Basso. Após a exibição, o programa pode ser assistido pelo site www.rbstv.com.br/galpao.

Confira galeria de fotos com os melhores momentos do programa Galpão Crioulo 30 anos

Os Números do "Galpão Crioulo" na TV

> 30 anos desde a primeira exibição

> Cerca de 1,5 mil programas exibidos

> Cerca de 21 mil quilômetros viajados para shows

> Cerca de 3 mil músicos já participaram do programa

Conheça a trajetória do programa por meio de galeria de fotos

"Galpão Crioulo" 30 Anos

Por Neto Fagundes

Estamos em 2012, 30 anos de Galpão Crioulo no ar. É incrível o que é o Galpão Crioulo, no coração dos gaúchos e das gaúchas de todas as querências. Sua dimensão e importância para a música do Rio Grande do Sul (falo da música e do canto por ser a minha área, mas poderia falar da dança, da poesia e da música instrumental), com gente da gaita e do violão hoje, que começaram no Galpão e estão desfilando seus acordes e melodias pelos mais importantes palcos do mundo. É o crescimento e o desenvolvimento da arte gaúcha que sem uma vitrine como o Galpão Crioulo talvez demorasse mais para acontecer. Foi um grande susto e uma grande emoção em 1982 quando o meu pai, Bagre Fagundes, comunicou a mim e aos meus irmãos Ernesto e Paulinho que iríamos nos apresentar no programa do tio Nico em Porto Alegre, a 480km da nossa terra, e logo virou noticia na cidade.

"O Bagre e os filhos dele vão se apresentar no Galpão Crioulo", rádio e jornal da cidade noticiaram com orgulho, vejam a dimensão que o fato tomou. Do convite em diante nos tornamos oficialmente artistas, com imagem e som. Com o disco do Galpão Crioulo 2 em que interpreto o Canto Alegretense, com a parceria da acordeona do Renato Borghetti , a coisa mudou de figura. Daí em diante, peguei a estrada e me juntei aos mais carimbados nomes do gauchismo. Viajávamos na caravana do Galpão Crioulo pelo interior do Estado junto com Os Serranos, Os Bertussi, o Gaúcho da Fronteira, a Berenice Azambuja, o Leonardo, o Grupo Caverá e muitos outros sempre com a apresentação de Antonio Augusto Fagundes.

Quando o tio Nico adoeceu, no ano 2000, eu trabalhava no Canal Rural e a Alice Urbim me ligou e disse: " O Nico tá no hospital e tu vais apresentar no lugar dele , pois ele disse que tem que ser tu e é amanhã em São Leopoldo". Menos de um ano depois, graças às médias da Vó Mocita, ele retornou e quando fui devolver o programa para ele, fui convidado pela direção da RBS TV para formarmos uma dupla. Na mesma hora aceitei antes que desistissem. Ficamos juntos apresentando por 12 alegres anos e descobri muitas coisas boas com o tio Nico: sua generosidade com o artista iniciante é comovente, nenhuma gravadora tomou conta do Galpão para que todas tivessem espaço. Um profissional corretíssimo, nos horários, nas relações e nos compromissos e que o Galpão é uma grande família. Quem tá não quer sair, e que não tá quer entrar. Quando o tio Nico me entrega as rédeas do Galpão Crioulo, agora com os seus primeiros 30 anos, ele tem a certeza de uma coisa: que eu, Neto Fagundes, seu sobrinho, seu amigo e seu parceiro nunca o deixarei sair do coração do Galpão com suas ideias e ensinamentos. Não está saindo apenas um colega de trabalho, está se aposentando um gaúcho sem substituto, um apresentador sem comparação, um poeta de mão cheia, um folclorista, antropólogo, advogado, cineasta, ator, cantor, compositor e um baita tio. E com outro detalhe: ele está entregando as rédeas para um cara que ele viu nascer e crescer e que tem o mesmo sangue, a mesma estirpe e o mesmo nome do pai dele. Fica tranqüilo, tio Nico, nós vamos continuar juntos no trabalho dos Fagundes e continuaremos cortando estradas mais unidos do que nunca.

E nunca esqueça: quem vai ficar apresentando o Galpão Crioulo agora é o seu sobrinho e amigo Neto Fagundes, filho do seu irmão, dr. Bagre Fagundes, e da sua cunhada, dona Marlene Vilaverde Fagundes. E o detalhe mais importante: neto do seu Euclides e da dona Mocita!"

A bênção, tio Nico!

E se eu não estiver apresentando bem o Galpão, fala que eu me esforço e melhoro. Se estiver bem, espalha!

 

 

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