A fila não anda

Quem paga R$ 300 para ver Bob Dylan não vai voltar de ônibus", alega EPTC sobre falta de transporte público

Para o gerente de fiscalização da EPTC, o transporte público extra é disponibilizado "quando o perfil do show é mais acessível"

15/05/2012 | 11h27
Quem paga R$ 300 para ver Bob Dylan não vai voltar de ônibus", alega EPTC sobre falta de transporte público Ronaldo Bernardi e Marlise Brenol/
Na foto acima, os fãs levaram horas para chegar ao Beira-Rio na apresentação de Roger Waters. Abaixo, a fila que se formou no aeroporto para o pagamento do estacionamento Foto: Ronaldo Bernardi e Marlise Brenol

O transtorno na hora de o público ir embora do show do Los Hermanos, no fim de semana, foi o bis de um problema recorrente em Porto Alegre: a falta de estrutura para espetáculos de médio e grande porte.

Questionadas sobre a extensão de horários ou ônibus, carros e trens extra, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e a Trensurb alegam que a necessidade deve partir de quem organiza o show.

Só os produtores podem informar o público esperado e os horários de entrada e saída – a partir daí, avalia-se as necessidades. O gerente de fiscalização de trânsito da EPTC, Tarciso Kasper, garante que a disponibilização de transporte pós-shows é analisada de acordo com o perfil de cada espetáculo.

– O valor do ingresso é um indicativo. O cara que paga R$ 300 para o Bob Dylan, assim como quem foi ao show do Los Hermanos, não vai voltar de ônibus. Geralmente, colocamos transporte público extra quando o perfil do show é mais acessível – informa Kasper.

Os fãs que enfrentaram problemas para voltar do Los Hermanos, com ingressos de R$ 60 a R$ 100, discordam.

– Como vai ter bastante gente usando ônibus, mesmo tarde da noite, eu voltaria de ônibus. Até porque, assim, o pessoal pode beber sem se preocupar – aponta a designer Lanna Collares.

Você já enfrentou problemas ao ir a shows na Capital? Conte para nós!

Confira em infográfico o show de problemas:

Confira outras práticas que podem melhorar a vida de quem frequenta a grandes shows:

Trânsito: Ações conjuntas da EPTC e da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic) nos shows de Roger Waters, Bob Dylan e Los Hermanos impediram o estacionamento em locais proibidos e a instalação de ambulantes em pontos que pudessem atrapalhar o fluxo dos automóveis. É uma melhora, mas quem depende de estacionar para ir a um show ainda sente falta de uma sinalização mais adequada (inclusive com relação aos acessos) e uma postura mais incisiva da Brigada Militar para coibir a ação agressiva dos flanelinhas.

Ingressos: Abolir ou diminuir taxas de conveniência abusivas é outra iniciativa que faria a felicidade do público. O festival Sónar, em São Paulo, foi um dos pioneiros. Os ingressos comprados pela internet tinham o mesmo preço daqueles dos pontos físicos. O problema, no entanto, acabou sendo na hora de trocar o comprovante da compra pelo bilhete: houve quem ficasse até duas horas na fila. Ou seja, existem soluções, mas show sem suor só no DVD.

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