Todos os Arnaldos reunidos

"Acústico MTV" de Arnaldo Antunes reúne todas as facetas do músico

Disco e DVD gravados no final do ano passado acabam de chegar às lojas

25/06/2012 | 17h13
"Acústico MTV" de Arnaldo Antunes reúne todas as facetas do músico Marcos Villas-Boas/Divulgação
Arnaldo Antunes compilou em CD e DVD músicas de diferentes fases de seus quase 30 anos de carreira Foto: Marcos Villas-Boas / Divulgação

O Arnaldo loucaço dos Titãs. O Arnaldo poeta concretista. O Arnaldo experimental dos Tribalistas. O Arnaldo compositor de trilha sonoras. Todos eles se encontram no Acústico MTV gravado no final do ano passado e que acaba de ser lançado. Nele, o músico revisita seus quase 30 anos de carreira, pinçando faixas dos mais de 60 discos nos quais deu as caras – e a voz.

Mas não há saudosismo no projeto: para refazer sua trajetória, Arnaldo optou por arranjos minimalistas, instrumentos antigos e chamou convidados que deram novo brilho e valorizaram clássicos de seu cancioneiro – o trompete discreto de Guizado foi um golpe de mestre, Nina Becker se encaixou com perfeição em O Seu Olhar, Liminha é sempre uma alegria, e Moreno Veloso nasceu para cantar com Arnaldo. Completam o time a afinada banda de apoio composta por Edgard Scandurra, Curumin, Marcelo Jeneci, Betão Aguiar e Chico Salem.

Durante os ensaios para a temporada de shows em São Paulo, Arnaldo Antunes conversou por e-mail com o Segundo Caderno.

Zero Hora – Qual foi o critério para a escolha do repertório?

Arnaldo AntunesA escolha foi bem difícil. Queria que tivesse um pouco de cada fase da minha carreira, algumas da época do Titãs, outras da carreira solo, outras dos Tribalistas, algumas composições próprias que outros artistas gravaram, mas que eu ainda não tinha cantado, canções inéditas... Foi um processo bem demorado. Pedi sugestões dos músicos da banda e do Liminha, claro. Mas, além de escolher as músicas, a gente teve que testar antes, para ver se os arranjos acústicos funcionariam. Algumas últimas escolhas foram feitas já durante os ensaios, sentindo o que eu estava gostando mais de cantar e o que resultou mais interessante nos novos arranjos.

ZH – Sua banda e os convidados trazem representantes do novo indie brasileiro (Curumin, Guizado, Jeneci...). Como é trabalhar com uma geração como essa?

Arnaldo Além de Edgard Scandurra, parceiro desde seus primeiros trabalhos solo, a banda traz Betão Aguiar, Chico Salem, Marcelo Jeneci e Curumin (bateria). Edgard toca comigo desde o início da carreira solo, é o parceiro mais antigo. Fico feliz que ele tenha conseguido seguir comigo, mesmo com todos os seus projetos pessoais. Os outros são mais jovens e foram chegando em diferentes momentos. Acho um privilégio tocar com eles, admiro o trabalho de cada um e, com o tempo de estrada, fomos também compondo várias canções juntos. De certa forma, o fato de tocar com eles me aproximou mais de toda uma galera mais jovem.

ZH – Que diferenças você apontaria entre este acústico e os outros projetos ao vivo em que já trabalhou, como o Ao Vivo Lá em Casa?

Arnaldo Em primeiro lugar, a sonoridade, os timbres. Procuramos explorar várias possibilidades incomuns no repertório de instrumentos acústicos. Em segundo, os novos arranjos que buscamos criar para as canções, em geral bem diferentes de suas gravações originais. Por último, o repertório, que, além de passear por várias fases da minha carreira, ofereceu a oportunidade de cantar pela primeira vez canções inéditas ou já gravadas por outros intérpretes

ZH – Você nunca está em carreira solo totalmente, já que as parcerias são constantes. Essa característica gregária é necessária para fazer música?

Arnaldo – A música popular é, por natureza, um território coletivo. A gente toca com um grupo de instrumentistas, compõe muitas canções em parceria, faz show pra um monte de gente, participa um do show do outro, grava discos juntos etc. E a criação conjunta é sempre um prazer e um desafio de adequação à linguagem do outro. Gosto disso, acaba me levando a criar coisas que sozinho não faria. O Grêmio Recreativo, que levei ao ar pela MTV no ano passado, era uma espécie de celebração desses encontros.

SERVIÇO

Acústico MTV
Arnaldo Antunes

Rosa Celeste, pop
CD (19 faixas, R$ 26,90) e DVD (105 minutos, R$ 44,90)

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