Para 2013

Em novo filme, Lázaro Ramos vive músico jovem que sonha integrar a Orquestra

Filme de Sérgio Machado foi batizado de "Acorda, Brasil" provisoriamente

17/07/2012 | 12h52
Em novo filme, Lázaro Ramos vive músico jovem que sonha integrar a Orquestra  Leo de Azevedo/Divulgação
o ator Lázaro Ramos Foto: Leo de Azevedo / Divulgação

Uma da manhã na Sala São Paulo. A movimentação é intensa, mas não é nenhum concerto, nenhum recital. A sala abriga nesta madrugada a filmagem de uma cena importante do novo longa de Sérgio Machado. O diretor de Cidade Baixa e Quincas Berro D'àgua comanda uma animada equipe reunida pela Gullane Filmes para contar a história do Instituo Baccarelli e da Sinfônica de Heliópolis. Neste momento específico, o músico de periferia realiza seu exame de admissão para a Osesp. O próprio diretor artístico da Orquestra Sinfônica de São Paulo - Arthur Nestrovski - faz uma participação especial, integrando a banca examinadora que avalia... Lázaro Ramos.

Em sua segunda parceria com o diretor, Lázaro faz o músico jovem que joga suas fichas e sonha integrar a prestigiada orquestra. O filme chama-se, provisoriamente, Acorda, Brasil, mas é certo que vai mudar até o lançamento, embora o título tenha a ver com o conceito da obra. O músico de Lázaro é a representação deste Brasil que, nos últimos anos, tem aberto novas perspectivas de vida para a garotada da periferia. Não faz muito tempo, quais eram as opções? Ser jogador de futebol ou então uma meteórica trajetória no tráfico, ganhando dinheiro (rapidamente) e vivendo 'à bout de souffle' (a perder o fôlego) antes de tombar sob as balas de adversários ou da polícia.

Esses garotos hoje podem sonhar com outras coisas, como os da favela de Heliópolis, que possui uma orquestra sinfônica e é dela que Lázaro - o personagem dele - sai para a Osesp. A Osesp é a cereja do bolo, a Sinfônica de Heliópolis é a expressão do Brasil que acorda - e isso não vai mudar com o título -, mas o filme não é chapa branca, como diz o diretor Machado.

– É tudo, menos chapa branca – reforça Lázaro Ramos, que chega dos bastidores para conversar com a reportagem.

O palco está uma balbúrdia. A cena filmada nesta noite é a sequência do material que foi rodado no dia anterior. Lázaro, no violino, acompanhado de uma pianista. Os planos próximos de ambos já foram feitos e agora, nesta madrugada, o diretor de fotografia Marcelo Durst sobe na plataforma para filmar, de cima do palco, as reações dos integrantes da comissão de avaliação, que, da plateia, assistem à apresentação do candidato.

Embora o nome de Lázaro Ramos seja o mais importante no elenco de Acorda, Brasil, o longa tem participações de outras figuras conhecidas, como a própria mulher do ator, Taís Araújo, e Sandra Corveloni, que ganhou o prêmio de interpretação feminina no Festival de Cannes por Linha de Passe, de Walter Salles. Mas o personagem de Lázaro é o motor que impulsiona a historia real, baseada na experiência de dois jovens de comunidade cuja vida será transformada pela música.

Fátima Toledo, com quem Lázaro e Machado trabalharam em Cidade Baixa, prepara mais uma vez o elenco jovem, repetindo uma experiência que começou em Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco, há 32 anos, e prosseguiu em Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, há dez. Ambos os filmes adquiriram projeção internacional e são bem exemplos do tipo de vida que os garotos de Heliópolis - e Acorda, Brasil - estão conseguindo, agora, evitar.

Marcelo Durst, o grande diretor de fotografia de Estorvo, retorna ao cinema depois de um período dedicado à publicidade. Filho do lendário diretor de TV e cinema Walter George Durst, Marcelo já trabalhou (num comercial da Nike) com John Woo. Ele gosta de ângulos e movimentos de câmera complicados. Tira de letra. Seu nome é mais um a credenciar a produção da Gullane com estreia prevista para o ano que vem, com distribuição da Fox.

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