Situação ruim

Integrantes da banda Pussy Riot são condenadas a dois anos de prisão na Rússia

Elas foram consideradas culpadas de vandalismo por protesto em 21 de fevereiro

Atualizada em 20/08/2012 | 11h0317/08/2012 | 08h58
Integrantes da banda Pussy Riot são condenadas a dois anos de prisão na Rússia NATALIA KOLESNIKOVA/AFP
Pussy Riot foram consideras culpadas de vandalismo Foto: NATALIA KOLESNIKOVA / AFP

A justiça russa declarou nesta sexta-feira culpadas de vandalismo as três jovens do grupo punk Pussy Riot por realizar em uma igreja de Moscou uma "oração" contra o presidente Vladimir Putin, em um julgamento que gerou um movimento de apoio à banda em todo o mundo. Nadejda Tolokonnikova, de 22 anos, Yekaterina Samutsevitch, de 30 anos, e Maria Alejina, de 24 anos foram condenadas a dois anos de prisão.

Manifestações a favor das artistas já foram realizadas na Rússia e outras estão previstas em muitas cidades do exterior, de Paris a Sydney, passando por Varsóvia ou Nova York.

A juíza Marina Syrova retomou em grande parte os argumentos da promotoria, que havia pedido três anos de prisão por terem cantado no dia 21 de fevereiro, com o rosto coberto, carregando guitarras e com um equipamento de som, uma "oração punk" na catedral do Cristo Salvador em Moscou, na qual pediam à Virgem que "livrasse" os russos de Putin no poder.

A juíza ressaltou que as acusadas "não expressaram arrependimento", "violaram a ordem pública" e "ofenderam os sentimentos dos crentes". Os advogados das Pussy Riot pediram a absolvição, a promotoria quer três anos de prisão. A pena máxima por "vandalismo" é de sete anos de prisão. As três jovens ouviam tranquilamente de pé a leitura da sentença. Tolokonikova, que vestia uma camisa com a inscrição em espanhol "no pasarán", sorria.

As autoridades mobilizaram um grande dispositivo policial nos arredores do tribunal e colocaram barreiras metálicas em ambos os lados da rua para impedir grandes concentrações. Partidários e opositores das jovens se deslocaram ao tribunal antes do início do julgamento.

O caso dividiu profundamente a sociedade russa. Muitos bispos e fiéis denunciaram a profanação da catedral e o ataque contra a Igreja. Mas outros, incluídos no seio da Igreja, também consideraram o julgamento desproporcional.

Grupos ultranacionalistas e ortodoxos protestavam diante do edifício. "Quero que as Pussy e aqueles que as apoiam queimem no inferno", declarou um deles.

Uma centena de pessoas gritava, por sua vez, "Liberdade para as Pussy Riot", "Liberdade para os prisioneiros políticos".

Entre as figuras do protesto do regime do presidente Vladimir Putin, o blogueiro e grande crítico da corrupção Alexei Navalny conseguiu entrar no tribunal.

Já o líder da Frente de Esquerda, Sergei Udaltsov, foi parado quando tentava se aproximar do edifício, assim como outros partidários das Pussy Riot.

Em Ekaterinburgo, nos Urais, cerca de 30 pessoas se reuniram para apoiar as Pussy Riot, informou a agência de notícias Interfax. Em Samara, na região do Volga, nove pessoas foram detidas durante um protesto, segundo a mesma fonte.

O caso adquiriu dimensão internacional e as três mulheres receberam nas últimas semanas enorme quantidade de apoios procedentes do mundo inteiro. Vários artistas como Paul McCartney, Madonna, Sting e Yoko Ono expressaram sua solidariedade.

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