Falem mal, mas falem deles

Maroon 5 abdica do pop acústico para investir em som dançante e letras simples

"Overexposed" evoca receita de sucesso da banda: manter-se sob os holofotes a todo custo

20/08/2012 | 14h56
Maroon 5 abdica do pop acústico para investir em som dançante e letras simples Terry Richardson/Divulgação
Adam Levine (ao centro) atua na TV e vai estrear no cinema Foto: Terry Richardson / Divulgação

O vocalista da banda norte-americana Maroon 5, Adam Levine, é um cara esperto e sabe que a vida de popstar muitas vezes é curta. Por isso, aposta na superexposição de sua imagem, mesmo que a música fique em segundo plano.

E a receita foi extrapolada: além da turnê com a banda e a participação como jurado do programa The Voice, Levine confirmou presença na próxima temporada do seriado American Horror Story e ainda vai estrear no cinema em Can a Song Save Your Life?, ao lado de Keira Knightley e Mark Ruffalo.

Os passos calculados coincidiram com o lançamento do quarto CD da banda, intitulado justamente... Overexposed (Superexposto). Levine não está nem aí para os críticos, acredita que é o cara mais sexy da música e parece ser adepto do velho conceito "falem mal, mas falem de mim". Segundo o próprio vocalista reconheceu, em entrevista recente ao jornal britânico The Sun, "por muitos anos, era legal não gostar de Maroon 5".

Mas agora tudo mudou. O novo trabalho é encarado pela banda como um recomeço, e os resultados são animadores: Overexposed está na lista dos top 10 da Billboard, já vendeu mais de 20 mil cópias no Brasil, e os três shows da banda marcados no país para o final de agosto - Rio de Janeiro, São Paulo (com abertura da ótima banda Keane) e Curitiba - estão com lotação esgotada. No ano passado, o grupo apresentou um bom show no Rock In Rio, na mesma noite do Coldplay.

Depois da dançante Moves Like Jagger, que tomou conta das rádios e pistas no ano passado e levou a banda a um outro patamar, era de se esperar, no mínimo, um CD cheio de hits. Porém, não é o que acontece em Overexposed.

Imbuído da autoconfiança de Levine, o Maroon 5 optou pela ousadia, mesmo que nem sempre ela seja garantia de qualidade. A banda abdicou do pop rock mais acústico dos primeiros trabalhos para apostar na fórmula que dá certo nas pistas: bases eletrônicas em profusão, efeitos de voz, refrões lotados de "oh-oh-oh". Obra do time de produtores do álbum, formado por Shellback, Max Martin, Ryan Tedder (da banda One Republic) e Benny Blanco, que trabalharam com artistas como Kate Perry, Ke$ha e Britney Spears. Um dos pontos fortes da banda até então, a guitarra suingada de James Valentine inexplicavelmente pouco aparece. Também faz falta o teclado marcante de Jesse Carmichael, que pediu um tempo e se afastou da banda neste ano.

O novo trabalho peca pela falta de criatividade, e as letras simples falam basicamente de amores mal resolvidos - mas os fãs vão adorar o convite à dança, especialmente no reggaeton One More Night e no hit Payphone, que tem a participação do rapper Wiz Khalifa. Para complicar, há ecos de outros artistas permeando o álbum, como em Tickets (Lady Gaga), na boa Ladykiller (Cee Lo Green) e até na balada Sad (Lana Del Rey). Por outro lado, faixas como o soft reggae Beautiful Goodbye e Lucky Strike lembram o que a banda fez de bom antigamente. Mesmo que Levine não se preocupe, muita gente ainda deve achar legal não gostar de Maroon 5.

Overexposed
Maroon 5
Pop. Universal Music, 12 faixas, R$ 29,90 (em média)
Cotação: 2 de 5

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