Festival de Veneza

Michael Shannon interpreta assassino pai de família em "The Iceman"

Filme do diretor Ariel Vromen, baseado na história real de um executor da Máfia, estreou nesta quinta na mostra competitiva

30/08/2012 | 23h22
Michael Shannon interpreta assassino pai de família em "The Iceman" Millennium Films/Divulgação
Michael Shannon como o protagonista Richard Kuklinski em "The Iceman" Foto: Millennium Films / Divulgação

Um marido amoroso em casa, um assassino no trabalho. O diretor israelense Ariel Vromen inspirou-se em um executor do crime organizado para seu novo filme, The Iceman, que estreou nesta quinta-feira na mostra competitiva do Festival de Cinema de Veneza. O filme ainda não tem título em português nem data de estreia no Brasil.
 
The Iceman analisa a vida dupla do americano Richard Kuklinski, que durante décadas atuou como assassino contratado sem revelar sua verdadeira ocupação ou macular sua pacata vida suburbana.
 
O filme é estrelado por Michael Shannon (O Abrigo). Winona Ryder (Cisne Negro, Garota: Interrompida) interpreta a esposa de Kuklinski, e Ray Liotta (Os Bons Companheiros), o chefe da Máfia que descobre as habilidades assassinas do protagonista, um homem frio e sem medo.
 
Vromen disse que ficou cativado ao ver Kuklinski – que foi preso em 1986 – contando sua história em um documentário de 2006. Ele acrescentou que ficou surpreso ao sentir empatia por um homem que foi condenado por cometer pelo menos 100 atentados a serviço da máfia – mas que provavelmente foi responsável por mais do que o dobro disso.
 
Enquanto atuava como executor, Kuklinski criou uma vida familiar idealizada para sua esposa e suas duas filhas, a quem matriculou em uma escola católica e a quem costumava levar para patinar.
 
– Eu não conseguia parar de pensar sobre isso, perguntando por que eu me importava com aquele monstro tão extremo. Tudo isso me perseguia, o fato de que eu me importava, de que eu sentia uma empatia muito, muito profunda – disse Vromen em entrevista. – Foi uma luta muito dura escrever um script que tivesse equilíbrio suficiente para mostrar por um lado o demônio que ele é e por outro evitar ceder à tentação de defender um personagem como esse – acrescentou.
 
Vromen disse que teve que lutar por dois anos para que o ator Michael Shannon ficasse com o personagem, evitando as "possibilidades óbvias."
 
– Michael Shannon tem trevas, – disse Vromen – e se você tem as trevas, meu trabalho é saber como iluminá-las um pouco, como posso tornar essa escuridão mais refinado.'
 
– Toda vez que vejo Kuklinski, vejo o menino que ele foi, e tento imaginar todo o medo que ele tinha quando criança. Também tento ver alguém cheio de ódio por si mesmo – disse Shannon. – Tudo o que ele tinha era muita raiva, e em vez de descarregá-la com pessoas desconhecidas, ele o fazia com gente que no fim das contas não era tão inocente.
 
Já Winona Ryder, para interpretar a mulher aparentemente ignorante da situação do marido, teve que apagar tudo o que sabia sobre Kuklinski: arrancar as páginas do roteiro sobre suas atividades como mafioso e afastar-se do o set nos dias em que seu lado criminoso era filmado.
 
No entanto, ela não tentou aproximar-se da verdadeira Deborah Pellicotti, que negou conhecimento das atividades de seu marido, e, desde que ele foi acusado, mudou de identidade. 

– Não sei se eu teria conseguido muita informação dela – disse a atriz.
 
Ainda que Ryder intepreta uma esposa ingênua, ela não está totalmente convencida de que a ignorância tenha sido assim tão verdadeira.
 
– Não creio que você pode ser casado com alguém por tanto tempo, dormir toda noite com alguém assim, especialmente quando ele se levantava no meio do jantar para matar alguém. Ela lavava as roupas dele, e tinha que haver sangue – disse Ryder.

 
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