Polêmica

Deputado quer proibir 'Ted', filme que mostra ursinho viciado

Protógenes assistiu à comédia "Ted" com o filho Juan, de 11 anos.O filme tem classificação 16 anos no Brasil

25/09/2012 - 10h41min | Atualizada em 25/09/2012 - 16h31min
Deputado quer proibir 'Ted', filme que mostra ursinho viciado Divulgação/Divulgação
No filme, Mark Wahlberg é um homem adulto que tem que lidar com seu estimado ursinho de pelúcia que ganhou vida como resultado de um desejo de infância e que se recusa a deixá-lo Foto: Divulgação / Divulgação  

Protógenes Queiroz, pai que levou o filho de 11 anos ao cinema para assistir a uma comédia barra pesada recomendada apenas para maiores de 16, é um cidadão indignado. Mas sua revolta não resulta do mea-culpa pela infeliz escolha de um programa inapropriado a uma criança. Ele quer proibir a exibição do filme no Brasil.

O episódio ganhou repercussão por ser Protógenes um deputado federal (PC do B-SP) e figura tão conhecida como polêmica por sua atuação como delegado da Polícia Federal.

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— Fiquei chocado e indignado com esse filme. Ele passa a mensagem de que quem consome drogas, não trabalha e não estuda é feliz — disse Protógenes, que assistiu com o filho Juan, de 11 anos, ao filme americano dirigido por Seth MacFarlane, em cartaz no Brasil desde sexta-feira.

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Esbravejando no Twitter, Protógenes disse que pediria nesta terça-feira aos ministérios da Justiça e da Cultura a suspensão da exibição de Ted. E criticou os dois órgãos por terem liberado o filme para maiores de 16 anos:


— Não poderia ser liberado nem para 16 nem para 18 anos. Esse filme não pode ser liberado para idade nenhuma. Não deve ser veiculado em cinemas.


O assunto repercutiu na internet e ficou na lista de temas mais falados no país desde segunda-feira. Houve uma enxurrada de respostas e críticas. Um dos comentários lembrou que o filme não é infantil, mas para maiores de 16 anos. "Desculpa, mas esse filme é um absurdo", rebateu Protógenes.


Com foco no humor politicamente correto, Ted é um espécie de conto de fadas às avessas sobre um homem que tem como melhor amigo desde a infância seu urso de pelúcia, que ganhou vida própria por um desejo do dono quando criança.


Protógenes disse que o filme "endossa atitudes criminosas, satiriza o consumo de drogas e de álcool e instrui o espectador a não estudar e a não trabalhar". Segundo o deputado, é "um filme agressivo". Ele afirmou que, ao conversar com o filho sobre o filme, outras crianças ao lado disseram: "Tio, estamos sabendo, aquilo é maconha".


O deputado afirmou que costuma levar o filho para ver filmes com classificação para adolescentes:


— Se a faixa etária é para 18 anos, ele não vai. Se é para 16, como esse Ted, eu levo, porque ele já é pré-adolescente. Vi a sinopse e pensei que poderia levar meu filho. Mas logo no início, o filme apresenta cenas com drogas, até mesmo com modernos aparatos para o consumo de crack. Falei para Juan que havia coisas erradas no filme. Ele respondeu: 'Já sei, papai. Esse ursinho é preguiçoso, só quer saber de fumar maconha e crack, não trabalha, vive de bico, não estuda'.


Protógenes disse que o filho perguntou se ele queria ir embora:


— Respondi que não. Queria ver até onde ia aquele desrespeito.


O deputado afirmou ainda que uma das cenas que mais chamaram sua atenção foi quando o ursinho Ted liga a televisão e aproveita para consumir drogas. Protógenes disse ainda que ficou indignado ao ver um herói de sua juventude, Flash Gordon, usando cocaína.


A repercussão chegou aos produtores do filme. O próprio Ted se "manifestou" em seu Twitter: "Meu filme já fez US$ 100 milhões. Quem sabe agora eu possa pagar um restaurante que não tenha na mesa ao lado uma família gritando em português".


Em um dos maiores complexos cinematográficos de Porto Alegre, por enquanto, nenhum pai desavisado marcou presença na sala do gerente para reclamar.


— A orientação na bilheteria é avisar aos pais com crianças menores sobre o conteúdo do filme — informa o responsável por uma das principais redes de cinema da Capital. Alguns pais trocam de opção, outros não se importam. Só existe proibição quando a restrição é para maiores de 18 anos. Neste caso, num filme recomendável para maiores de 16, vale o bom senso. Se a criança está muito abaixo da faixas etária, como foi o caso de uma menina de 10 anos, solicitamos que o responsável por ela assine um formulário padrão.


Como não existe mais censura no Brasil, o Ministério da Justiça é o responsável pela classificação indicativa dos filmes. Em resumo, crianças e adolescentes podem assistir a filmes recomendados para uma faixa etária acima da sua desde que acompanhados por um responsável legal, exceto quando a classificação é para maiores de 18 anos.


Como é recorrente nestes casos, a reação extremada de Protógenes deve dar ainda mais publicidade ao ursinho Ted.


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