Papa-prêmios

Depois do Prêmio SP, Altair Martins festeja também o Prêmio Moacyr Scliar

Autor já está com seu sexto livro, o segundo romance, pronto para lançamento pela editora Record

26/03/2013 | 15h01
Depois do Prêmio SP, Altair Martins festeja também o Prêmio Moacyr Scliar Mauro Vieira/Agencia RBS
Altair Martins Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

– Vou comprar tempo.

Era o que dizia o escritor Altair Martins ao embolsar os R$ 200 mil do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2009. O discurso não mudou com a recente vitória no Prêmio Moacyr Scliar, que lhe rendeu R$ 150 mil.

– Preciso diminuir a correria – ele diz. – Naquele tempo, eu dava aula das 7h30min às 22h30min, todos os dias. Consegui aliviar um pouco a carga horária. Agora vou fazer o mesmo. Cada vez que aceito um convite para um debate, para um bate-papo com leitores ou para promover um livro, preciso recuperar aulas, e minha rotina fica quase inviável.

O novo papa-prêmios da literatura brasileira tem 38 anos, quatro livros de contos (incluindo Enquanto Água, vencedor do Prêmio Scliar) e um romance (A Parede no Escuro, do Prêmio SP). Dá aulas em dois cursos pré-vestibulares, um deles em Caxias do Sul, e no Ensino Médio do Colégio Rosário, na Capital – algo que associa à vocação e que não deixará de fazer:

– O pessoal brinca que fiquei milionário, mas é uma questão de investimento. Com o Prêmio SP, pude ter mais tempo para o meu doutorado. Agora sinto melhor isso de que se fala que é a profissionalização. A literatura me parece mais natural, mais adequada ao meu dia a dia. Está mais tranquilo escrever. Mas não abrirei mão de dar aula. Tenho muito orgulho do trabalho de formação de leitores a partir dos clássicos que aplico com os alunos do Rosário. Apresentar Shakespeare para a gurizada, discutir Shakespeare com eles é algo muito marcante.

Altair fala de maneira objetiva. E bem rápida. Diz que é assim que funciona. Que não pode parar.

– Quando paro por um instante, começo a comer. Como sou diabético, a glicose sobe e dá problema. Preciso estar trabalhando sempre – brinca.

O doutorado, que versa sobre teoria da literatura e que será defendido nos próximos dias, tem relação com o novo romance, Terra Avulsa. O texto já está revisado junto à editora Record e pode ser publicado ainda neste primeiro semestre. Tem relação com Guaíba, adianta o autor, cidade em que ele viveu muitos anos – apesar de ter nascido em Porto Alegre:

– Tem passagens na Ilha do Presídio, que fica entre as duas cidades e que, por isso, funciona como metáfora da minha vida. Quando eu era criança e o local era utilizado pelos agentes da ditadura militar, dizia-se que ninguém podia se aproximar que levava tiro. Quando o regime terminou e eu e meus amigos pudemos nos aproximar, de caiaque, tive uma sensação da qual jamais esquecerei.

O prêmio
> Realizado no Rio Grande do Sul, pela Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Instituto Estadual do Livro e da Associação Lígia Averbuck, o Prêmio Moacyr Scliar entrega R$ 150 mil ao autor brasileiro do melhor livro de contos, num ano, e de poesia, no outro. Em 2012, temporada dedicada à poesia, deu Em Alguma Parte Alguma, de Ferreira Gullar. Agora, em 2013, Enquanto Água, de Altair Martins.

O novo livro
> Segundo romance de Altair Martins (que também tem quatro livros de contos), Terra Avulsa está pronto para publicação, segundo o autor. Sai este ano, “talvez ainda no primeiro semestre”, projeta Altair, pela editora Record. Da mesma forma que A Parede no Escuro (2008) foi consequência de sua dissertação de mestrado, sobre o narrador na literatura, Terra Avulsa tem relação com o doutorado, sobre teoria literária.

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