Essência provocativa

Ney Matogrosso fala sobre o novo show que traz ao Estado

Cantor se apresenta na Capital no fim de semana com show 'Atento aos Sinais'

14/03/2013 - 20h58min
Ney Matogrosso fala sobre o novo show que traz ao Estado Adriana Franciosi/Agencia RBS
Em show que apresenta neste fim de semana na Capital, Ney Matogrosso apresenta composições de diversos artistas Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS  

– Falta transgressão, estamos precisando de transgressão. Será que só eu penso assim? Eu já estou velho, mas não sei fazer de outro jeito – brinca, falando sério, Ney Matogrosso.

Aos 71 anos, um dos maiores artistas brasileiros retorna aos palcos com Atento aos Sinais, espetáculo que estreou no Rio Grande do Sul na última quarta-feira, em Novo Hamburgo, e passa sexta e sábado por Porto Alegre. Com o novo show, Ney segue fazendo o que há 40 anos faz melhor do que ninguém: provocar. E sem precisar tirar (toda) a roupa.

Vestido, o cantor recebe a reportagem no hotel onde está hospedado, na Capital. Está feliz: a estreia de Atento aos Sinais, na última semana, em São Paulo, recebeu críticas positivas. O público, como é de praxe, também reverenciou o cantor do começo ao fim. Motivos para o contrário ele próprio admite que há, uma vez que o show não é necessariamente uma volta no carrossel. Está mais para um passeio de montanha-russa, conduzido por um repertório que vai de um samba de 1973, de Paulinho da Viola (Roendo as Unhas), a um rap de 2011, de Criolo (Freguês da Meia-Noite). Mas a pegada é rock’n’roll.

– Ele tem um começo bem forte, contestatório. Minha crítica está toda ali, logo de cara – adianta, dando como exemplo a faixa Incêndio.

A canção, que o parceiro Pedro Luís fez para o grupo punk Urge nos anos 1980, exalta o tom político do espetáculo ao projetar imagens fortes em imensos telões de LED.

Incêndio fala da loucura do mundo. Colocamos cenas da primavera árabe, o raio caindo no Vaticano durante a renúncia do papa, fome na Somália, tudo isso faz parte do incêndio. Só que estava faltando algo nosso. Tinha que ter a gente também! Então colocamos os nossos craqueiros, imagens daquela horda de viciados em crack correndo pelas ruas – diz Ney.

De início focado apenas nos "malditos" da música brasileira, Ney logo se viu abrangendo nomes novos e desconhecidos, como Vitor Pirralho (Tupi Fusão), Tono (Samba do Blackberry) e Dani Black (Oração). Mas os gigantes não ficaram fora: Caetano entra com Two Naira Fifty Kobo, Itamar Assumpção está em três momentos (Isso Não Vai Ficar Assim, Noite Torta e Fico Louco) e Lobão comparece em Vida Louca Vida. Astronauta Lírico e A Ilusão da Casa, do gaúcho Vitor Ramil, também estão no setlist.

Apesar de abarcar gerações e gêneros, Ney garante que a unidade do espetáculo está preservada, nas entrelinhas.

– O roteiro não conta uma história, mas oferece impressões que eu pretendo que sejam compatíveis e que vão desenrolando um assunto. Ele não é linear, mas tem vários assuntos que se completam – explica.

Para os fãs que irão assisti-lo, Ney faz uma única ressalva, que espelha sua própria essência: é proibido segurá-lo.

– Tem um número que eu faço deitado na escada, e as pessoas vêm passar a mão em mim. Eu deixo passar a mão em mim, não tenho problema com isso. Mas tudo tem um limite, não pode me segurar. Se me impedir, toma tranco. Eu tenho que ficar livre – diz.

Ninguém duvida.

 
 
 
 
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