A casa ficou pequena

Escritores debatem a necessidade de uma nova biblioteca para o Rio Grande do Sul

Questão levantada por Armindo Trevisan em artigo ganhou eco no discurso de outros autores

Por: Carlos André Moreira
02/04/2013 - 19h12min
Escritores debatem a necessidade de uma nova biblioteca para o Rio Grande do Sul Diego Vara/Agenc RBS
Atualmente, apenas 10% do acervo original está na sede tradicional da Biblioteca Pública Foto: Diego Vara / Agenc RBS  
Um artigo publicado pelo poeta e professor Armindo Trevisan, há uma semana, avaliava que o Estado necessitava de uma nova biblioteca pública estadual, que funcionasse mais como ágora e menos como depósito de acervo.

A manifestação de Trevisan angariou aprovação de outros escritores.

Publicado no dia 26 de março no Segundo Caderno de Zero Hora, o texto de Trevisan discutia a necessidade de uma nova biblioteca edificada como centro cultural de encontro e troca de ideias entre escritores e a população. Trevisan afirma que parte de sua inspiração vem não de bibliotecas no sentido estrito, uma vez que no Brasil elas raramente tiveram esse tipo de identidade, mas de livrarias como a Globo, que ele próprio frequentou no passado.

– A livraria era um centro de discussão e vida intelectual. Na Globo, conheci Mario Quintana, Erico Verissimo, Dionélyo Machado, Theodomiro Tostes. Eu imagino não uma biblioteca como um sarcófago silencioso de livros, ali preservados e mumificados. Mas sim como um espaço com vários ambientes no qual a leitura em um aposento alimente o debate e a troca de ideias em outro – comenta o escritor.

A manifestação de Trevisan logo despertou uma série de adesões de outros escritores do Rio Grande do Sul, que se somaram ao que o próprio poeta qualifica como seu "sonho de escritor". O presidente da Associação Gaúcha de Escritores, Caio Riter, escreveu um artigo no qual se dispunha a "fazer eco" ao pedido de Trevisan, de "uma biblioteca à altura do Estado".

– Tem havido mobilizações na área da literatura, com edições do IEL (Instituto Estadual do Livro) e a retomada do projeto Autor Presente, mas o Estado hoje, sofre a carência de um espaço que represente a sua grandeza nas atividades literárias – diz Riter.

Outros escritores, como Luiz Paulo Faccioli e Maria Carpi, também declararam apoio. O próprio Trevisan recebeu diversas manifestações entusiasmadas tanto de profissionais da escrita quanto do público em geral.

– O Trevisan articulou um tema no ar: como pensar uma biblioteca na nossa era digital? – diz Faccioli .

A questão também é debatida pela própria administração da Biblioteca Pública. Atualmente, apenas 10% de seu acervo está na sede tradicional, o prédio histórico cuja construção teve início em 1912 e hoje em processo de restauro. O restante, temporariamente, ocupa um espaço na Casa de Cultura Mario Quintana. De acordo com a diretora da biblioteca, Morgana Marcon, mesmo depois de concluída a reforma na sede da General Câmara, contudo, não haverá espaço para reunir seu acervo material em um único lugar.

– Hoje a biblioteca é uma instituição grande dentro de outra instituição, que é a Casa de Cultura. Mas, mesmo depois da reforma, não teremos como abrigar todo o acervo que ainda está encaixotado. A sede é um prédio histórico, tombado, e planejado para um acervo bem menor. Não temos como evoluir dali – diz Morgana.

De acordo com ela, mesmo depois de concluída a restauração, a biblioteca ainda continuará dividida. O setor de empréstimo ao público deve permanecer na Casa de Cultura, enquanto o acervo relacionado com a cultura do Rio Grande do Sul, as obras raras e a coleção original da biblioteca, composta por suas obras mais antigas, devem voltar para a sede.

– Uma campanha desse gênero para a modernização da biblioteca, pela comunidade cultural, seria ótimo – diz Morgana.

 
 
 
 
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