Relatos da desacomodação cotidiana

Eliane Brum lança livro com coletânea de colunas publicadas na internet

"A Menina Quebrada e outras Colunas de Eliane Brum" terá sessão de autógrafos nesta segunda-feira, na Livraria Cultura do Bourbon Country, em Porto Alegre

30/06/2013 - 18h14min
Eliane Brum lança livro com coletânea de colunas publicadas na internet Lilo Clareto/Divulgação Arquipélago Editora
Eliane Brum tem mais de 40 prêmios por reportagens escritas Foto: Lilo Clareto / Divulgação Arquipélago Editora  

Todas as segundas-feiras, as inquietações da jornalista gaúcha Eliane Brum ganham corpo na coluna que é publicada no site da Revista Época e de lá envereda pelas redes sociais, conquistando milhares de leitores.

Nesta segunda-feira (1º/07), às 19h, na Livraria Cultura do Bourbon Country, a escritora recebe os fãs gaúchos para a sessão de autógrafos do livro que reúne 64 desses textos: A Menina Quebrada e outras Colunas de Eliane Brum.

Entre as infinitas vozes que se cruzam na internet, a de Eliane parece falar mais alto e por mais tempo. Seu texto mais lido, Meu filho, você não merece nada, atingiu a marca de 900 mil visualizações e 228 mil "curtir" no Facebook. Trata-se de uma crítica aos jovens que desejam ganhar tudo da vida sem grande esforço.

Confira entrevista com Eliane Brum

De esforço, a gaúcha nascida em 1966 na cidade de Ijuí entende bastante. Não opina sobre nada sem antes pesquisar, hábito herdado das duas décadas de atuação como repórter, 11 em ZH e 10 na Revista Época, período no qual recebeu mais de 40 prêmios. Também foi premiada pelos livros, entre eles A Vida que Ninguém Vê (Prêmio Jabuti 2007). Como documentarista, co-dirigiu Uma história Severina e Gretchen filme estrada.

– Eu me lembro de textos da Eliane que foram compartilhados mais de 50 mil vezes – conta Sérgio Lüdtke, ex-editor do site da Revista Época, hoje membro do conselho editorial do portal do jornal Estadão. – O tempo de permanência dos leitores (em média oito minutos) era sempre o maior do site, o que demonstrava que as pessoas liam até o final – complementa.

Foi no período em que Sérgio trabalhou com Eliane, em 2010, que suas colunas começaram a se tornar um fenômeno de audiência, desafiando o lugar-comum de que textos na internet devem ser curtos. Quando transpostas para o papel, a maioria de suas colunas se estende por mais de cinco páginas. Sérgio arrisca um palpite sobre o sucesso de Eliane:

– Ela escolhe bem os temas, que são geralmente quentes, relevantes, e sempre se posiciona, então acaba sendo referência – avalia.

A popularidade de Eliane foi construída ao longo de anos, sem estratégias de viralização, e a partir de uma divulgação convencional. A autora utiliza somente o Twitter, no qual é seguida por 27 mil pessoas. Não possui Facebook, mas um fã publica seu trabalho em uma fanpage.

Eliane cultiva uma rotina regrada de muita leitura, pesquisa e escrita. Todos os dias, acorda às 5h da manhã ou às 3h, "se a coisa aperta". Antes de escrever, coloca uma chaleira com a água para o chimarrão no fogo e se prepara para o dia:

– Enquanto a água esquenta, eu faço um exercício de olhar a paisagem na frente da minha janela, que é bem paulistana, para tentar ver o que está diferente, sentir o dia que começa e que a gente não sabe no que vai dar. Só depois eu vou escrever – explica a jornalista.

Oferecer um olhar original em sua coluna é uma imposição que Eliane lança a si mesma. E, para isso, ela conta que precisa estar sempre questionando seu próprio jeito de pensar:

– Eu me movo pelas dúvidas e escrevo pra desacomodar. Não posso dizer se consigo ou não, mas espero que ao final de uma coluna minha o leitor fique perturbado. Para fazer isso, eu primeiro preciso me provocar, desacomodar.

No novo livro, Eliane discorre sobre assuntos tão diversos quanto política, ateísmo, relações familiares. As colunas foram selecionadas de maneira a criar a narrativa de um momento atual do país. A jornalista afirma não escrever pensando em audiência, mas sempre que pode reitera o respeito que tem por ela:

– Eu não subestimo o leitor. Passei a vida inteira ouvindo que leitor não gosta de texto longo e acho isso uma tremenda bobagem.

 

A Menina Quebrada e Outras Colunas de Eliane Brum
> Arquipélago Editorial. 432 páginas, R$ 39,90.
> Sessão de autógrafos: nesta segunda-feira, 1 de julho, às 19h, na Livraria Cultura do Bourbon Country (Av. Túlio de Rose, 80 - Loja 302), em Porto Alegre

 
 
 
 
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