
Fã de seriados de TV e avalista do grande vigor criativo que este formato de dramaturgia tem exibido nos últimos anos, Contardo Calligaris se lança à frente de uma série de ficção como criador e, de certa forma, protagonista.
Psicanalista, escritor e colunista do jornal Folha de S. Paulo, Calligaris prepara o lançamento, em 2014, no canal HBO, do seriado Psi, com aventuras do personagem que apresentou em seus dois romances, Carlo Antonini.
Já em produção, Psi apresenta o ator Emilio de Mello no papel de Antonini, psicanalista que vive aventuras dentro e fora de seu consultório lidando com casos inusitados e, por vezes, perigosos. A série terá 13 episódios de 60 minutos de duração e uma temporada assegurada. Embora Antonini seja um assumido alter ego seu, Calligaris explica que a série explora um universo ficcional para além do biográfico.
- As aventuras do personagem são como um Frankenstein clínico de situações vividas. Acredito na experiência como fonte de inspiração. Sobre as vivências que eu não tinha, como as religiosas e as que se passam em clubes de sexo, fui conhecê-las - diz Calligaris a ZH.
O psicanalista destaca ainda que o canal HBO já o havia procurado quando do lançamento de seu primeiro romance, O Conto do Amor (2008):
- Mas surgiu a possibilidade de se fazer um longa-metragem para o cinema. Como o roteiro não deu certo, a ideia do seriado foi retomada em 2011, quando lancei o meu segundo romance, A Mulher de Vermelho e Branco.
Calligaris entrou no projeto como produtor e roteirista, escrevendo em parceria com Thiago Dottori. A direção-geral é de Marcus Baldini. Psi contará histórias inéditas, com fatos posteriores aos narrados nos livros, todas ambientadas na cidade de São Paulo
- Estão me perguntando se tem algo a ver com In Treatment (série americana adaptada de uma produção israelense que ganhou a versão brasileira Sessão de Terapia, no GNT). Mas não tem. Psi não é um seriado de consultório, embora, logicamente, ele esteja presente - explica Calligaris.
Calligaris acredita que House seria uma referência mais aproximada da rotina que Antonini vive entre as patologias de seus pacientes, seus conflitos internos e seus relacionamentos com amigos, família e mulheres.
- E essa aproximação seria mais no sentido de o Antonini ter por perto uma interlocutora, a quem chamo de seu primeiro violino, que é uma colega interpretada pela Cláudia Ohana.
Calligaris se diz um grande espectador de seriados - o noticiário nacional ele prefere ler nos jornais. Cita entre suas atrações preferidas séries como as produções escandinavas, The Killing ("Muito melhor do que a adaptação americana") e The Brigde ("Eu me casava com aquela detetive") e a britânica Sherlock ("É dela a inspiração cromática de Psi"), além da americana Mad Men.
Quanto à escolha de Emilio de Mello para viver Antonini, Calligaris está satisfeito em "se ver" no ator:
- A série repousa nos ombros do protagonista. E não são muitos os bons atores nessa faixa etária. Assim que vimos o Emilio nos testes, sabíamos que era ele.
O Personagem
> O psicanalista Carlo Antonini foi apresentando por Contardo Calligaris no livro O Conto do Amor (2008), que marcou sua estreia como romancista. Na história, Antonini viaja à Itália e desvenda o passado de seu pai por meio de pistas presentes em uma obra de arte barroca.
> O personagem voltou no livro A Mulher de Vermelho e Branco (2011), que narra fatos anteriores. Em 2001, após os atentados do 11 de Setembro em Nova York, Antonini reencontra um amor de juventude e se envolve no caso de uma brasileira casada com um muçulmano.
> As histórias do seriado Psi são inéditas, ambientadas no presente. Mostram Antonini vivendo com sua nova mulher e os filhos e dividindo o consultório com uma colega, Valentina (Cláudia Ohana).