Riffs pesados

Rock inspira trilha de musical baseado em "O Apanhador no Campo de Centeio"

Com direção de Zé Adão Barbosa e direção musical de Thedy Corrêa, "O Apanhador" estreia em outubro, em Porto Alegre

Por: Fábio Prikladnicki
13/08/2013 - 16h24min
Rock inspira trilha de musical baseado em "O Apanhador no Campo de Centeio" Bruno Alencastro/Agencia RBS
Thedy Corrêa (quarto a partir da esquerda) dirige a banda que estará em cena Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS  

Os ensaios começaram há duas semanas, mas quem vê acha que foi há bem mais tempo, tamanho o entrosamento.

Estamos em um estúdio no bairro Azenha, em Porto Alegre, onde se reúnem os integrantes da banda que executará, ao vivo, a trilha do musical O Apanhador, baseado no mítico romance O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger, com estreia marcada para 11 de outubro, no Teatro do Museu do Trabalho.

Em um intervalo entre as canções, o ator Nicolas Vargas, que interpretará o protagonista Holden Caulfield, personagem que influencia jovens até hoje, sintetiza o espírito da banda:

– A sensação é de que nos conhecemos há muito tempo.

Os guitarristas Pedro Saul e Lucas Goulart, a baixista Gabriela Lery e o baterista Rafael Landon foram selecionados entre os jovens que se inscreveram para uma audição anunciada em maio, em uma parceria da produção do espetáculo com o Kzuka. Agora, uma enquete para a escolha do nome da banda está em casadeteatropoa.com.br/o-apanhador.

– A seleção dos músicos não foi qualitativa. Buscamos os componentes pelo estilo, pela pegada. Teve gente boa que tocava de um jeito que não era o que procurávamos. Queríamos uma pegada de rock de garagem – explica Thedy Corrêa, diretor musical e autor das músicas e das letras originais que serão interpretadas em cena.

Assista a um trecho de ensaio da banda e a entrevistas com Zé Adão Barbosa e Thedy Corrêa

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Para homenagear a atualidade da obra de Salinger, publicada em 1951 e ainda capaz de seduzir as novas gerações, o músico encontrou referências em bandas recentes, como Oasis e Arctic Monkeys. As canções (serão de 10 a 12 faixas) falam de símbolos como o chapéu vermelho do protagonista, de situações da trama ou de personagens em particular. Para traduzir Salinger em música, Thedy conta que deu mais atenção às ideias do autor do que à linguagem despachada e repleta de jargões por ele empregada.

O diretor musical trabalha com um exemplar surrado do livro, em português, comprado na juventude. E adquiriu uma nova edição em inglês. A relação de Thedy com a obra vem de tempos: afirma que a releu diversas vezes nos últimos anos – e mais uma para realizar este trabalho. O objetivo é lançar um disco com a trilha.

– Quero que o som das duas guitarras esteja entrelaçado. Disse para eles usarem o fuzz em vez do drive – observa, referindo-se a dois efeitos de distorção, sendo o fuzz o mais "sujo".

Quem chega para assistir ao final do ensaio é Zé Adão Barbosa, que assina a direção geral do musical, com direção cênica de Fernanda Petit e Larissa Sanguiné e coreografias de Carlota Albuquerque. Zé Adão explica à reportagem que o projeto será caracterizado pela "excelência na sonorização".

– Sou um velho roqueiro. O rock é um som afetivamente excitante para nós – diz  Zé Adão, que prepara a direção de outros dois musicais: Godspell, com estreia prevista para dezembro, em Canoas, e Lupi, sobre Lupicínio Rodrigues, em 2014, quando serão lembrados os cem anos de nascimento e os 40 de morte do compositor.

Em tempo: O Apanhador está sendo viabilizado com financiamento coletivo. Contribuições podem ser feitas pelo site catarse.me/oapanhador.

O livro

> Publicado em 1951, O Apanhador no Campo de Centeio começou a fazer sucesso nos Estados Unidos da época da Guerra Fria. Desde então, o romance que conta as desventuras de Holden Caulfield se tornou leitura obrigatória para jovens de diversas gerações em todo o mundo.

> Foi um dos poucos livros lançados por J.D. Salinger (1919 – 2010), que se tornou lendário como um autor recluso e misterioso.

> Mark David Chap­man, o sujeito que matou John Lennon, em 1980, disse que a explicação para o assassinato que cometeu poderia ser encontrada em O Apanhador no Campo de Centeio.

Confira duas letras de canções que estarão no musical

Boné Vermelho
Parece até
Que eu consigo ouvir
O mundo girar

Parece até
Que ninguém nunca vai mudar
Só pra me ajudar

Para me proteger
Não há ninguém
Apenas o meu Boné Vermelho


Allie
Allie, meu irmão
Jogava beisebol
E escrevia poemas
Em sua luva de couro

Nos dedos
nas costas
na palma da mão
Da luva de couro
poemas escritos
em tinta verde

 
 
 
 
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