Aposta no fantástico

Sandy está no elenco do thriller psicológico "Quando Eu Era Vivo", que estreia nesta sexta-feira

Longa é uma adaptação do livro "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa", de Lourenço Mutarelli, escritor e artista gráfico com trabalho referencial no universo fantástico

30/01/2014 | 14h15
Sandy está no elenco do thriller psicológico "Quando Eu Era Vivo", que estreia nesta sexta-feira flora dias/Divulgação
Foto: flora dias / Divulgação

A estreia de Quando Eu Era Vivo deve ser prestigiada não apenas por representar uma vistosa abertura do circuito a um gênero que, inexplicavelmente, é para o cinema nacional como a cruz para o vampiro: o horror e suas diferentes vertentes. Em cartaz a partir de hoje, o longa-metragem de Marco Dutra tem no elenco com nomes conhecidos do grande público a razão de maior promoção. Mas pouco ajudariam os nomes de Antonio Fagundes e da cantora Sandy se o filme não cumprisse a expectativa.

Quando Eu Era Vivo é uma adaptação do livro A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, de Lourenço Mutarelli, escritor e artista gráfico com trabalho referencial no universo fantástico, já levado ao cinema em filmes como O Cheiro do Ralo (2007). Acima de Fagundes e Sandy, quem se impõe como protagonista da trama é Marat Descartes, nome de destaque no cinema autoral brasileiro – foi parceiro de Dutra em Trabalhar Cansa (2011), premiado longa codirigido com Juliana Rojas que também investiu no registro fantástico.

O tom de Quando Eu Era Vivo é o do thriller psicológico. O ritmo é apropriadamente lento e não se apela a sustos previsíveis. Descartes vive Júnior, rapaz que busca abrigo no apartamento do pai, José (Fagundes), após separar-se da mulher. No lugar onde cresceu, Júnior revive em fitas VHS a presença do irmão Pedro, agora internado em um hospício, e da mãe morta. O elemento estranho é Bruna (Sandy), estudante de música que aluga o antigo quarto dos garotos.

O filme transcorre sobre espelhamentos entre presente e passado, razão e loucura, trevas e luzes. Pai e filho compartilham o mesmo nome, mas têm personalidades que logo se mostram conflitantes, num embate entre mente e corpo. O apático Júnior se mostra atormentado pelas lembranças reacendidas, que envolvem experiências da mãe e do irmão com ocultismo e a obsessão em decifrar anagramas deixados em uma partitura musical. A obsessão de Zé é com exercícios físicos e com o olhar para frente, trancando em um armário remissões ao trauma que destroçou aquela família – e que parece se redesenhar para provocar um novo abalo.

A presença de Sandy causa estranheza pelo fato de a cantora mais incorporar ela própria do que compor uma personagem plausível naquele ambiente de classe média baixa e um tanto decrépito. Mas talvez seja uma intenção do diretor reforçar, com a representação bela e angelical da jovem, a figura de Bruna como a chave da conexão entre pai e filho e, sobretudo, entre os planos real e sobrenatural.

A caprichada cenografia, que destaca a progressiva transformação do apartamento com a chegada de Júnior e o desenho de som, a preencher com criatividade as lacunas da narrativa, são elementos de destaque de um filme que surpreende mais pelo sugerido do que pelo mostrado.


Quando Eu Era Vivo

De Marco Dutra. Com Marat Descartes, Antonio Fagundes e Sandy Leah.
Suspense, Brasil, 2013.
Duração: 109 minutos.
Classificação: 12 anos.

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