Adeus ao galã

Ator Arduino Colassanti morre aos 78 anos

Nascido na Itália, Colassanti ficou famoso por protagonizar o primeiro nu frontal masculino do cinema brasileiro, no filme "Como Era Gostoso o meu Francês" (1971), de Nelson Pereira dos Santos

23/02/2014 | 17h09
Ator Arduino Colassanti morre aos 78 anos Condor Filmes/Divulgação
Arduino Colasanti no filme "Como Era Gostoso o meu Francês" Foto: Condor Filmes / Divulgação

Galã do Cinema Novo, ator preferido do cineasta Nelson Pereira dos Santos na segunda metade dos anos 60 e início dos 70, precursor do surfe no Brasil, pioneiro do mergulho submarino, namorado de estrelas como Leila Diniz e Sônia Braga, o ator Arduino Colasanti, italiano de nascimento, niteroiense de coração, morreu neste sábado, aos 78 anos, vítima de problemas cardíacos e pulmonares.

Arduino estava internado desde o último dia 13 de fevereiro no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, cidade litorânea na região metropolitana do Rio onde morava havia quatro décadas. O quadro de saúde piorara na quarta-feira, quando uma infecção hospitalar foi diagnostica. Debilitado, não pode passar pela cirurgia de cateterismo na sexta-feira, como estava previsto.O enterro está marcado para esta segunda-feira, no Cemitério Parque da Colina, em Niterói. Amigos e parentes planejam homenageá-lo na praia do Arpoador (zona sul do Rio) na próxima quarta-feira, dia 27. Ele deixa quatro filhos (Ricardo, Roberto, Rodrigo e Daniela), de cinco casamentos.

No Arpoador, Arduino pegou suas primeiras ondas e criou um pranchão confeccionado, de modo inovador, com fibra de vidro e resina. Mas foi a enseada de Jururuba, colônia de pescadores em Niterói, o seu reduto preferido. De lá, saia de barco para os mergulhos na costa fluminense, que tanto amava.

Arduino participou de cerca de 40 filmes, sendo protagonista em títulos de Nelson Pereira dos Santos, como El Justicero (1967), Fome de Amor (1968) e, sobretudo, Como era Gostoso o  Meu Francês (1971) — neste, ele protagonizou o primeiro nu frontal masculino do cinema brasileiro, vivendo um aventureiro europeu feito reféns pelos índios tubinambás na costa brasileira, em 1594.

A chegada dos Colasanti ao Brasil ocorreu após a IIª Guerra Mundial (1939 - 1945), na qual o  patriarca, Manfredo, também ator, lutara. Com Arduino (nascido em Livorno), que tinha 11anos à época, veio a irmã, a escritora Marina Colasanti.

A partir do final da década de 70, suas aparições na tela passaram a ser eventuais. Foi quando passou a dedicar-se integralmente aos mergulhos. Chegou a trabalhar para a Petrobras e outras empresas petroleiras como observador das instalações submarinas de plataformas e equipamentos do setor.

 
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