Entrevista

Matt Damon fala sobre bastidores de "Caçadores de Obras-Primas"

Ator contou como é trabalhar com o amigo George Clooney, Cate Blanchett e Bill Murray

13/02/2014 | 21h30
Matt Damon fala sobre bastidores de "Caçadores de Obras-Primas" DAVID GANNON/AFP
Ator Matt Damon chega no tapete vermelho para a exibição do filme "Caçadores de Obras-Primas" no Festival de Berlim em 8 de fevereiro de 2014 Foto: DAVID GANNON / AFP

Em entrevista divulgada pela Fox, Matt Damon conversa sobre as filmagens de Caçadores de Obras-Primas e revela como é trabalhar com o amigo George Clooney e as outras estrelas do elenco.

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Como você se envolveu no projeto de Caçadores de Obras-Primas?

Matt Damon – Eu estava indo buscar meus filhos na escola e recebi um e-mail do George (Clooney) perguntando: "Você está ocupado na primavera?" Então quando cheguei em casa, liguei para ele, fiquei sabendo um pouco sobre o projeto e recebi o roteiro. Li e imediatamente adorei. Isso foi quatro ou cinco meses antes de começarmos a filmar. Mas eu não fiz nenhuma anotação, literalmente, no roteiro. Grant e George tinham feito todo o trabalho pesado e foi um filme muito fácil, do tipo que bastou chegar e trabalhar.

Você sabia alguma coisa sobre a história original dos Caçadores de Obras-Primas e suas atividades durante a guerra?

Damon – Não, na verdade, eu não sabia nada a respeito. Estou surpreso que uma história importante como essa tenha me escapado em todas as aulas que tive sobre a 2ª Guerra Mundial. Ninguém jamais mencionou todas as obras de arte roubadas que os aliados conseguiram recuperar. E essa ideia que esses caras que eram um pouco passadinhos de idade para serem soldados, meio que deixaram tudo para trás, passaram por um treinamento básico e foram para a frente de batalha arriscando suas vidas para salvar obras de arte era uma história incrivelmente interessante. Fiquei chocado em saber que era verdade e eu nunca tinha ouvido falar sobre isso antes.

Parece uma história feita para o cinema…

Damon – É, parece mesmo. Fiquei surpreso que não havia roteiros falando disso rodando por aí há anos.

Você é amigo de George Clooney. Isso torna o processo de trabalho mais fácil ou dificulta de algum modo?

Damon – Facilita porque já se tem um atalho. Ele não precisa gastar tempo se preocupando com meus sentimentos. Há uma confiança implícita de parte a parte. Se eu estiver errando numa cena, ele pode me dizer!

Às vezes, os atores e diretores discordam, mesmo sendo amigos. Se você discordasse de uma cena ou de uma tomada, como resolviam a questão?

Damon – Bem, não tivemos nenhum momento assim. Ele já tinha vivido com a história por um tempo, escrito o roteiro e estava dirigindo o filme, então, sabe exatamente como quer filmá-lo. E George faz tomadas como os grandes diretores. Ele tem um ponto de vista bem específico sobre como cada cena será filmada e a história se desenrolará. Não se discute com alguém assim. Só se tenta dar a eles o máximo de pequenas variações possíveis, para garantir um pouco mais de material para a sala de montagem. Mas a verdade é que o George sabia realmente o que queria, e ele é muito eficiente em transmitir suas ideias. Isso facilitou muito nosso trabalho.

Que tipo de diretor é o George?

Damon – Ele consegue estar no controle e ser bem tranquilo, o que é a marca registrada de um grande diretor. Ele nunca levanta a voz. Não houve tensão alguma no set. Apesar de este ser um filme grande em termos de custo e valor de produção, a filmagem foi como se estivéssemos fazendo um filminho simples e de pequeno orçamento. Ficou dentro dos limites do cronograma e acho que até dentro do orçamento.

Você diria que Caçadores de Obras-Primas foi semelhante a outros filmes com grupos de atores como os da série Onze Homens e um Segredo?

Damon – Sim, é parecido com a série do Onze Homens, acredito. Em parte, pelo tom. Queremos que seja divertido e um bom entretenimento, como essa série de filmes foi. E acho que em termos do processo de trabalho também foi bem semelhante: os atores se divertiram muito. Mas esses filmes são sempre os mais difíceis para o diretor e os produtores. Então, para o George, dirigir, produzir, estrelar e ter escrito o roteiro, e para Grant – que escreveu o roteiro com o George e depois o produziu, esses caras tiveram que se concentrar muito e de dar conta de muitas responsabilidades. Isto é, nós também nos concentramos, mas tínhamos de dar conta de menos coisas.

Obviamente, você já conhecia parte do elenco, mas o que achou de atores com os quais nunca havia trabalhado?

Damon – Eu nunca havia trabalhado com Bill Murray antes e foi muito divertido. Bob Balaban, John Goodman, Jean Dujardin… é um grupo de caras muito divertidos. E são também atores que admiro muito. Portanto, foi legal compartilhar cenas com esse pessoal.

Bill Murray é um cara muito independente e tem uma personalidade peculiar. Foi intimidante conhecê-lo e trabalhar com ele?

Damon – Acho que teria sido se ele não fosse um cara tão centrado e gentil. Ele foi muito agradável e cheio de consideração... e ele é como um rio profundo. Muito interessante. Tive ótimas conversas com ele. E isso realmente me tocou e marcou. Concordo que ele pode ser intimidador, porque ele é independente no sentido que ele não aguenta bobagem e tem um senso de humor ácido, um senso de humor incrivelmente ácido que pode ferir você se ele optar por isso. Mas suas piadas nunca foram cruéis. Ele é um cara muito gozado que pode incendiar um ambiente com uma piadinha sarcástica de uma linha. Mas ele também é um homem muito, muito gentil.

Você teve muitas cenas com Cate Blanchett, com quem trabalhou há 15 anos em O Talentoso Ripley. Como foi trabalhar com ela novamente?

Damon – Foi estranho. Não sei como descrever a Cate. Ela é uma aberração da natureza. Lembro em Ripley, Anthony Minghella e eu conversávamos a respeito. Cate chegava para uma cena e ia embora, e nós pensávamos: "O que foi isso?" Ela tem essa habilidade de viver esses personagens tão diferentes de quem ela é e deixá-los plenamente críveis. E eu me senti exatamente com quando eu tinha vinte e tantos anos. Aqui estamos nós no início da década de quarenta e essa pessoa aparece novamente, essa mulher francesa, e eu pergunto: "Quem é essa?" Até Jean Dujardin, que estava fazendo uma visita e viu Cate fazendo uma cena certo dia, disse: "Mas eu não entendo... ela é francesa!" É essa habilidade inimitável de ser um camaleão. Mas aí no final da cena, ela é australiana novamente, e Cate é apenas essa pessoa maravilhosa com os filhos correndo por aí e... É como quando falam sobre esses atletas que são aberrações da natureza, esse é o único modo pelo qual consigo descrever Cate como atriz. Ela apenas interpreta num nível que os outros não conseguem.

Em termos de tom, este filme foi mais leve, momentos mais divertidos com alguns toques de drama também. Isso é um desafio para o ator?

Damon – Não, na verdade, isso é um desafio para o diretor. E para o roteirista, de certa forma. George e Grant já tinham deixado muito claro no texto do roteiro, mas o tom é algo difícil. Isso fica nas mãos do diretor. Como ator, fazemos a cena e o diretor basicamente ajusta o que estamos fazendo para chegar ao filme certo. E às vezes, isso significa interpretar para conseguir uma risada. Às vezes, temos de ser mais dramáticos. Então, o diretor é quem possui uma compreensão total da história que está contando. Uma vez, Steven Soderbergh descreveu esse processo para mim dizendo que é como montar um mosaico gigante trabalhando numa distância de 3 cm.

Não parece fácil.

Damon – Não, mas acho que é um bom modo de descrever, porque se pensarmos num mosaico do tamanho de uma parede com pequeninas peças e estivermos olhando bem de perto, veremos um grande número de pequenos espaços que vamos preenchendo como num filme. E temos de ligá-los todos de modo a contar uma história que faça sentido quando dermos um passo atrás e olharmos o todo. Isso é desafiador. E para o George, que já fez isso num alto nível diversas vezes, o mosaico que está construindo é mais complexo. Havia muitos elementos além da ação, o valor da produção, a escala do filme, todos os diferentes personagens, o que significa ser responsável por todas essas linhas de história diferentes. Isso é muito complicado. Este não é o tipo de filme para se tentar dirigir a menos que já tenha dirigido muitos filmes realmente grandes, como o George já fez.

Clooney é famoso por suas pegadinhas no set. Você foi vítima de alguma neste filme?

Damon – Bem, ele nunca admitiu isso para mim, mas ele deu uma entrevista dizendo que ele estava diminuindo meu guarda-roupa, um tiquinho a cada poucos dias. O que atribui a meus maus hábitos alimentares enquanto eu estava fazendo o filme. Mas fez muito sentido quando eu ouvi! (Risos) Honestamente, ele esteve muito ocupado neste trabalho. Ele sempre jantava com o elenco e a produção no sábado à noite. Mas era uma coisa de duas ou três horas e o único tempo livre que ele se permitia. Ele e Grant estiveram ocupados até o pescoço neste projeto.

 
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