Ponte da João Pessoa

Artistas ficam pendurados sobre o Arroio Dilúvio para alertar sobre poluição das águas

Intervenção cultural chamou a atenção de porto-alegrenses na manhã desta sexta-feira

21/03/2014 | 08h57
Artistas ficam pendurados sobre o Arroio Dilúvio para alertar sobre poluição das águas Fernando Gomes/Agencia RBS
Casal de artistas deve permanecer sobre o córrego até o início da tarde Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Uma intervenção cultural na ponte da Avenida João Pessoa, em Porto Alegre, chama a atenção na manhã desta sexta-feira. Artistas do projeto Ecopoética estão pendurados dentro de uma rede repleta de lixo sobre o Arroio Dilúvio. Eles devem permanecer no local até as 13h30min.

> Em SITE ESPECIAL, confira o histórico de poluição do Arroio Dilúvio

Financiado pelo Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural da Capital (Fumproarte), o projeto intitula-se como "a possibilidade de arte sobre as águas de Porto Alegre". O objetivo é chamar a atenção das autoridades para ecossistemas aquáticos da cidade que aparentam situação de abandono, conforme divulgado no site.



A ideia surgiu por meio de uma bolsa de estudos obtida pelo mestrando em Artes Cênicas da UFRGS Rossendo Rodrigues. São cinco pessoas envolvidas diretamente no projeto, além de todo o pessoal de apoio. Rodrigues e a colega Marina Mendo formam o casal que realiza a performance sobre o córrego nesta sexta. De acordo com um dos integrantes do projeto, Rodrigo Shalako, questões de qualidade de vida e meio ambiente afetam a todos.

— Queremos chamar a atenção de todos aqueles que contribuem direta ou indiretamente para a poluição das águas. Por que o (Arroio) Dilúvio é tão poluído e niguém faz nada? Os projetos de revitalização existem há anos e não andam. Estamos mexendo na nossa ferida — salienta.

Outras performances estão previstas no Guaíba, na ponte de pedra do Largo dos Açorianos e no lago do Parque da Redenção. A próxima deve ocorrer ainda neste mês, mas a data não será divulgada justamente para "surpreender" os porto-alegrenses, explica Shalako.

Leia abaixo o propósito do Ecopoética:

"Contemplado com a bolsa Décio Freitas e financiado pelo Fumproarte/SMC de Porto Alegre, o projeto prevê uma investigação teórica e prática sobre a possibilidade da arte como resgate político e ecológico para a cidade de Porto Alegre.

Objetiva-se abrir mão da pedagogia convencional e buscar o acontecimento poético e a realização estética como formas de chamar a atenção da população e de dirigentes políticos para temas e localidades emblemáticas da cidade em situação de abandono.

Para tanto, serão escolhidos alguns ecossistemas aquáticos urbanos como signos exemplificadores de um panorama geral, sendo eles: orla do lago Guaíba, lago da ponte de pedra junto ao largo Açorianos, espelho d’água e chafariz do parque Farroupilha e Arroio Dilúvio.

A pesquisa contempla uma investigação transdisciplinar entre teatro, dança, música, vídeo e suas interconexões; como forma de desenvolver linguagens paradigmáticas, poéticas e estético-filosóficas; buscando assimilar quais as suas implicações para as práticas e concepções estéticas contemporâneas e quais suas relações com um futuro sustentável.

Falamos aqui de buscar o resgate ecológico como uma nova fronteira para as artes cênicas, desenvolvendo uma poética transdisciplinar aqui denominada “ECOPOÉTICA”, e que venha a ampliar o papel das artes cênicas no desenvolvimento de uma cultura e de uma estética de sustentabilidade."

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