Acredite se quiser

"Believe" estreia com a grife do oscarizado diretor Alfonso Cuarón

Além do cineasta mexicano, série que estreia nesta quarta tem produção de J. J. Abrams

18/03/2014 | 15h05
"Believe" estreia com a grife do oscarizado diretor Alfonso Cuarón Warner Channel/Episodic
A poderosa Bo (Johnny Sequoyah) e seu protetor Tate (Jake McLaughlin), protagonistas de "Believe" Foto: Warner Channel / Episodic

Duas forças opostas lutando por uma garotinha com poderes sobrenaturais que está aos cuidados de um sujeito de índole duvidosa, porém destemido e de bom coração. Nas mãos de um Michael Bay da vida, uma trama assim viraria algo próximo dos X-Men. Mas, nas mãos da dupla Alfonso Cuarón e J.J. Abrams, virou a série Believe, que estreia nesta quarta, às 20h, no Warner Channel.

Ou seja, grife não falta para Believe – o que naturalmente eleva as expectativas. Afinal, estamos falando do primeiro trabalho de Cuarón após o Oscar de melhor diretor por Gravidade e um dos últimos projetos de Abrams (Lost, Fringe, Star Trek) antes de se dedicar inteiramente a Star Wars: Episódio VII (2015). Talvez por isso a série tenha sido tão... desacreditada em sua estreia nos EUA, na semana passada.

O Los Angeles Times classificou Believe de previsível e rasa, enquanto a Entertainment Weekly ressalva que Cuarón, um dos seus criadores e diretor dos primeiros capítulos, não dirigirá todos os episódios. Brincando com o mote da produção, o New York Times disse que falta à série uma boa razão para que o espectador acredite que valha a pena continuar acompanhando as desventuras da pequena Bo (a iniciante Johnny Sequoyah) e seu protetor Tate (Jake McLaughlin) depois do piloto.

De fato, é difícil prever se Believe vai se sustentar mais do que uma temporada apenas por causa do sobrenome de seus criadores. Seu primeiro capítulo não é dos piores, dosando corretamente drama, comédia e ação, com bom ritmo e personagens interessantes – a assassina vivida por Sienna Guillory é um achado. Usando de sutileza e fugindo de caracterizações óbvias, Cuarón minimiza o maniqueísmo da luta do bem contra o mal, especialmente quando mostra as forças que brigam por Bo, personificadas em Skouras (Kyle MacLachlan) e Milton Winter (Delroy Lindo).

Mas a série também entrega quase todo o seu potencial de cara, deixando quase nada para a audiência brincar. Não há dúvidas, após o episódio de estreia, de como a história irá se desenrolar e para quem (e o que) torcer – o que pode ser um problema em tempos de tramas que desafiam o senso comum e levam o espectador para além da TV (como Breaking Bad e True Detective). Sinal de que Believe irá precisar, em breve, de mais do que o carteiraço de Cuarón e Abrams.

Seduzidos pela TV

A lista de cineastas seduzidos pela televisão nos últimos anos é imponente: entre outros nomes, Martin Scorsese (Boardwalk Empire), David Fincher (House of Cards), Jane Campion (Top of the Lake), Gus Van Sant (Boss), Neil Jordan (Os Bórgias), Michael Mann (Luck), Steven Spielberg (Under the Dome, Falling Skies, Smash) e Sam Raimi (Rake). Reforçam o time de craques nos seriados os irmãos Joel e Ethan Coen, que estreiam em 14 de abril Fargo, na qual retomam o universo do seu longa homônimo de 1996, e Guillermo del Toro, envolvido com The Incredible Hulk e The Strain. José Padiha está tocando Narcos, produção da Netflix sobre o traficante Pablo Escobar. Scorsese e Spielberg seguem com a TV no horizonte. O primeiro está à frente de uma série sobre a indústria musical dos anos 1970. O segundo está envolvido com uma série inspirada no videogame Halo.

 
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