Além da fotografia

Fotógrafo Sebastião Salgado quer plantar 100 milhões de árvores para recuperar Rio Doce

Projeto faz parte das ações do fotógrafo em prol do meio ambiente

13/03/2014 | 14h16
Fotógrafo Sebastião Salgado quer plantar 100 milhões de árvores para recuperar Rio Doce Bruno Alencastro/Agencia RBS
Sebastião e Lélia Salgado na Usina do Gasômetro Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Genesis, exposição que abre nesta quinta-feira, às 19h, em Porto Alegre, não se trata de um ato isolado de Sebastião Salgado. Além da mostra ocorrer simultaneamente em cinco lugares do mundo, o fotógrafo mantém outro projetos em sua cruzada pelo meio ambiente, como a recuperação de leitos de rios.

Em entrevista coletiva na Capital, Salgado afirmou:

– Precisamos no dar conta de que, para ter essa sociedade de consumo sofisticada, deixamos um deserto atrás de nós.

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Em busca de sensibilizar mais pessoas para sua causa, jogos de exposição igual ao de Porto Alegre estão sendo exibidos em Madrid e Veneza, e logo estarão em Cingapura e Estocolmo. Por trás dessa organização está o trabalho da esposa de Sebastião, Lélia Salgado, curadora e designer da exposição.

– Já fizemos isso há 20 anos, com a exposição Trabalhadores, e alcançamos 70 museus de todo o mundo – conta Lélia,

Desde abril de 2013, Genesis já esteve exposta em mais de uma dezena de espaços. Além das 245 imagens exibidas nas paredes da Usina do Gasômetro, um grupo de imagens está sendo exibido ao ar livre no Campus Centro da UFRGS. Algumas fotos estão unicamente neste espaço, já outras se repetem na Usina. Para Lélia, essa é uma estratégia eficiente para conquistar visitantes:

– Muita gente não entra em museu, então as fotos na área externa servem chamar atenção para o trabalho.

No Instituto Terra, Salgado encontra espaço para lutar pelo meio ambiente fora da fotografia. Durante a coletiva, ele apresentou o projeto Olhos d'Água, que ele e Lélia estão desenvolvendo. Trata-se de um caminho para recuperar as cerca de 370 mil nascentes do rio Doce.

– Nos próximos 40 anos, estaremos plantando entre 60 e 100 milhões de árvores – ele assegurou.

Dando certo, o plantio em torno das nascentes poderá servir como modelo para revitalização de outros rios brasileiros. O custo deverá ser alto, mas, para Salgado, isso não deverá ser um problema:

– Nós temos recurso para plantar. O projeto todo deve custar em torno de uns três bilhões de reais. É muito dinheiro, mas esse é o preço de quatro ou cinco caças-bombardeiros que o Brasil vai comprar... E serão comprados uns 30 ou 40 desses caças. Então o dinheiro existe, é só ter vontade de fazer.

 
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