Pampianas

Vinicius Brum: Angüeras, Farroupilha, Gaudérios, Teatinos

O compositor e colunista reflete sobre quais obras destacaria como referenciais no universo da canção regional gaúcha

15/03/2014 | 12h04

É comum, nestes tempos de redes sociais, depararmos com listas de preferências nos mais variados campos das artes. Assim, reflito sobre quais obras destacaria como referenciais no universo da canção regional gaúcha. Esses mergulhos buscando destaques são inevitavelmente traiçoeiros. Por serem excludentes, há neles sempre uma contaminação pelo gosto pessoal, algo que, numa crítica que se pretenda séria, é aconselhável evitar.

O LP Gaúchos em Hi-Fi, do Conjunto Farroupilha (1957) e que Barbosa Lessa adjetiva como “...um punhado de canções que, reunidas, constituem verdadeira síntese da terra e do homem do extremo-sul...”, deveria ser visitado apenas por essa consideração talvez. Contudo, ainda estão lá as vozes de Alfeu, Danilo, Estrela, Inah e Tasso junto com a orquestração magistral de Henrique Simonetti: maravilhosa porteira de entrada para o nosso cancioneiro.

Muita gente deve conhecer a canção Os Homens de Preto, de Paulo Ruschell, com aquela introdução em que o assovio confunde-se com a acordeona acompanhados por um violão que galopa. Por longo tempo, tema de abertura do consagrado Campo e Lavoura da Gaúcha. O responsável por esse clássico é o grupo Os Gaudérios (1959), no qual cabe destacar o (então) menino Zé Gomes, de contribuição importante para a música popular brasileira, principalmente ao lado de Renato Teixeira.

Em 1976 é lançado o LP Telurismo, de Os Teatinos, composto por Glênio Fagundes, Marco Aurélio Campos, Paulo Portela e José Cláudio Machado. Glênio inaugura um estilo ao bordonear sua “guitarra”, Marco Aurélio (o Boca) imortaliza o poema Eis o Homem, e Zé Cláudio lá está com o seu inesquecível Pedro Guará. Em 1977, surge outra joia: Cantos de Pampa e de Rio, de Os Angüeras. José Lewis Bicca e Apparício Silva Rillo cristalizam no imaginário popular canções como João Campeiro e Cantiga de Rio e Remo. E o que dizer da voz do Carlos Moreno (Pimpim). É puro deleite!

Bueno, cometida está minha pequena (creio) (in)justiça! Um universo que aí não se esgota e cresce, mas é só um recorte. Contudo, insisto: ouvi-los é indispensável.

 

 
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