Obituário

Vítima de infarto, José Wilker morre no Rio de Janeiro

Ator e diretor tinha longa carreira na TV e no cinema, com personagens marcantes

Atualizada em 09/04/2014 | 17h1905/04/2014 | 11h23
Vítima de infarto, José Wilker morre no Rio de Janeiro Raphael Dias/TV Globo/Divulgação
José Wilker morreu aos 67 anos neste sábado, no Rio de Janeiro Foto: Raphael Dias / TV Globo/Divulgação

Correção: Anteriormente havíamos informado que José Wilker morreu com 67 anos, com base em gravação feita pelo próprio ator, que dizia ter nascido em 20/08/1946. A assessoria da TV Globo, no entanto, informou que o ator nasceu em 1944 e tinha, portanto, 69 anos. A informação foi corrigida às 17h17min do dia 9 de abril.

José Wilker morreu neste sábado, no Rio de Janeiro.

O ator tinha 69 anos e uma longa carreira no cinema, no teatro e na televisão, iniciada há mais de quatro décadas. Estava em casa quando foi vitimado por um infarto fulminante.

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Relembre momentos marcantes do ator na TV e no cinema

Wilker trabalhou até seus últimos dias: o intérprete deixa dois longas-metragens prontos, um deles o premiado A Hora e a Vez de Augusto Matraga (2012), adaptação da obra de Guimarães Rosa inédita nos cinemas de Porto Alegre. Também fora anunciado no elenco de Timeless Eye, coprodução Brasil-Grã-Bretanha que será filmada em 2014.

Nascido José Wilker de Almeida em Juazeiro do Norte, no Ceará, em 20 de agosto de 1944, obteve reconhecimento como ator, mas também atuou como narrador, apresentador de televisão e crítico de cinema, tendo participado de várias transmissões do Oscar pela TV Globo e, nos últimos dois anos, respondendo pela curadoria do Festival de Cinema de Gramado juntamente com o crítico Rubens Ewald Filho e o jornalista Marcos Santuário.

Wilker se aventurou na direção em duas novelas (Louco Amor e Transas e Caretas, ambas no início dos anos 1980) e no seriado Sai de Baixo (de 1996 a 2002). Como ator, sua estreia se deu em 1971, na novela Bandeira 2. Nos anos seguintes, emendaria cerca de 50 produções televisivas, entre novelas, séries e minisséries.

Seus principais papéis na televisão incluem personagens célebres em produções marcantes como Roque Santeiro (1985), O Salvador da Pátria (1989) e A Próxima Vítima (1995), entre outras. Seu Giovanni Improtta de Senhora do Destino (2004) inspirou um longa-metragem homônimo, que ele próprio dirigiu e que estreou nos cinemas em 2013. Entre as minisséries das quais participou está JK (2006), na qual interpretou o ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Recentemente, interpretou Jesuíno Mendonça na mais nova versão de Gabriela (2012), personagem que ficou marcado pelo bordão "Vou lhe usar", que se tornou febre nas redes sociais. Em 1975, na primeira versão da obra de Jorge Amado levada à TV Globo, ele interpretara Mundinho Falcão. Seu último papel na televisão foi no ano passado, na novela Amor à Vida.

Será para sempre lembrado por sua participação no clássico Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, no qual dividiu a cena com Sonia Braga e Mauro Mendonça interpretando Vadinho. Outros clássicos que tiveram a sua participação foram Os Inconfidentes (1971), Xica da Silva (1976), Bye Bye Brazil (1979), Bonitinha mas Ordinária (1980). Foram, no total, mais de 60 filmes, grande parte deles cômicos.

Houve também os grandes papéis dramáticos, como o de Antônio Conselheiro no filme Guerra de Canudos (1997). Exibido primeiro nos cinemas, esse épico de Sérgio Rezende depois acabou ampliado para exibição na TV. Poucos atores transitaram tão bem entre um meio e outro quanto José Wilker.

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