Coluna

Nílson Souza: "Aquela camisa amarela ainda mexe com meu adormecido patriotismo"

O colunista escreve semanalmente no Segundo Caderno

07/06/2014 | 07h02

Estive em três Copas do Mundo e perdemos todas. Antes que alguém me acuse de pé-frio, esclareço que vi ao vivo apenas uma derrota da Seleção Brasileira. Doída, é verdade, aquele inesquecível 3 a 2 para a Itália, em 1982. Antes, porém, já tinha visto o time de Cláudio Coutinho sair invicto da Argentina, em 1978, e 20 anos depois tive a oportunidade de acompanhar apenas o primeiro jogo do Mundial da França, vitória sobre a Escócia. Voltei de Paris bem antes daquela fatídica final entre um Ronaldo grogue e um Zidane lúcido, quase genial, 3 a 0 para os franceses. Curiosamente, os dois únicos jogadores daquele grupo que ainda atuam estão no futebol gaúcho: Zé Roberto, no Grêmio, e Dida, no Inter. Passaram-se mais três mundiais, o Brasil conquistou o Penta em 2002, e agora a Copa vem até nós.

Não sou um torcedor dos mais empolgados. Ao longo da carreira de jornalista, aprendi a dominar a emoção e abandonei preferências clubísticas, sem no entanto renunciar à paixão pelo futebol. Ninguém acredita nesta neutralidade, mas, como diz a minha fisioterapeuta, o que importa é que eu acredito. Gosto do jogo bem jogado, do jogador criativo, determinado, valente e leal – não importando muito a camisa que ele veste. Ainda recentemente aplaudi, sozinho diante da televisão, um golaço do holandês Van Persie, em amistoso de sua seleção contra o Equador. Um jogo sofrível, mas lá pelas tantas o artilheiro recebeu um lançamento alto, dominou no peito sem interromper a corrida e fuzilou de pé esquerdo. Belíssimo. Foi só o que ele fez, mas o lance compensou o meu embate contra o tédio de assistir a um jogo daqueles.

Estou contando tudo isso para dizer que vou torcer muito pelo Brasil nesta Copa. Um pouco pela Seleção de Felipão, pois aquela camisa amarela ainda mexe com meu adormecido patriotismo, mas muito mais por todos nós, pelo país, para que possamos dar conta desta tarefa grandiosa de receber o maior espetáculo da Terra e de mostrar ao mundo nossa competência também fora de campo.

 
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