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20 anos depois, entenda por que "Castelo Rá-Tim-Bum" foi um grande programa e segue influente

Infantil completou duas décadas em 2014 e segue lembrado pelo público pelo alto nível do conteúdo e recebe diferentes homenagens

Atualizada em 18/07/2014 | 11h0017/07/2014 | 14h05
20 anos depois, entenda por que "Castelo Rá-Tim-Bum" foi um grande programa e segue influente Marisa Cauduro TV Cultura/Divulgação
Biba, Zequinha, Pedrinho e Nino Foto: Marisa Cauduro TV Cultura / Divulgação

Era uma vez um castelo em São Paulo habitado por criaturas falantes, bruxos e uma criança de 300 anos. Há duas décadas, a fábula do Castelo Rá-Tim-Bum estreou na TV Cultura e, desde então, é uma referência de programa infantil. Não é à toa que os ingressos antecipados para Castelo-Rá-Tim-Bum – A exposição, realizada no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, estão esgotados. Foram 90 episódios (mais um especial de Natal), 6 mil horas de gravação, mais de 3 mil horas de edição, 800 figurinos e uma equipe de 250 profissionais envolvidos com a atração criada pelo dramaturgo Flávio de Souza e dirigida por Cao Hamburger.

Na trama, Nino (Cássio Scapin), mora com seus tios bruxos – Dr. Victor Victorious (Sérgio Mamberti) e Morgana Victorius (Rosi Campos) – em um castelo mágico junto com animais falantes e seres fantásticos. Sentindo-se solitário, o garoto de 300 anos atrai por meio de um feitiço três crianças para o castelo: Pedro (Luciano Amaral), Biba (Cinthya Rachel) e Zequinha (Freddy Állan). A partir daí, esse grupo de amigos passa a viver aventuras e descobertas. Além da trama de cada episódio, havia quadros didáticos entre as cenas que eram ligados ou não ao tema do capítulo.

Segundo Vânia Lúcia Quintão Carneiro, doutora em educação e autora do livro Castelo Rá-Tim-Bum - o Educativo Como Entretenimento, o programa se estrutura como um conto de fadas, que é o educativo mais ancestral que existe.

– Tem castelo, animais falantes, bruxos, menino de 300 anos. A essa narrativa vão sendo agregados vários quadros com intuitos pedagógicos, como o Mau e o Gato Pintado. Então, ele é constituído pela narrativa do conto de fadas com um tempo maior de duração e utiliza esses quadros apropriados de programas como Vila Sésamo e Rá-Tim-Bum com fins educativos – explica Vânia.

Para Sátira Machado, autora de Poesia infantil na TV: a experiência do Castelo Rá-Tim-Bum e professora de educomunicação na PUCRS, o programa apresenta conteúdos do ambiente escolar de forma lúdica (jogos, brincadeiras, curiosidades, especulações) para as crianças.

– Tem quadros de matemática, língua portuguesa, geografia, ciências, que dialogam com o cotidiano do público. Diferentemente de muitas ações escolares, consegue fazer as crianças entenderem por que estão aprendendo aquilo, de como podem aplicar no seu dia-a-dia.

Sátira ressalta abordagem lúdica do programa é atemporal, o que traz elementos de contos de fadas, mas deslocando a bipolaridade maniqueísta (bem e mal).

– Isso só foi popularizado mais efetivamente na abordagem dos filmes do Shrek, por exemplo, lançado em 2001.

Confira making of do programa:



Vânia destaca que o programa usa a fantasia para trabalhar questões do mundo real, que serão sempre atuais.

– Questões ecológicas, de alimentação adequada, de higiene, entre outras. Ele é um castelo do mundo imaginário, mas a serviço do mundo real, sempre trabalhando de maneira envolvente.

De acordo com Sátira, o programa abordou assuntos que perduram até hoje.

– Há 20 anos o Castelo Rá-Tim-Bum já trazia uma diversidade étnica das personagens e abordava o racismo em um programa infantil, por exemplo, no episódio Zula, a menina azul, sem falar na cultura indígena amplamente respeitada no programa.

Conforme Vânia, Castelo Rá-Tim-Bum continua sendo lembrado até hoje porque fascina pela fantasia.

– No castelo você tem um mundo imaginario, mas, ao mesmo tempo, está dentro de uma cidade, e o lugar é visitado por crianças que frequentam a escola. Ele mistura o mundo real, o mundo da escola, o mundo do especialista com o mundo imaginário. Como toda fantasia, ativa a emoção e permite elaborar determinado conflitos da vida real.

Devido a suas múltiplas linguagens, o castelo transmitia diferentes significados para cada um. Vânia lembra do exemplo de uma menina que entrevistou para a sua pesquisa.

– Ela era filha de um zelador e o síndico ameaçava despejar o pai dela. Então, sempre que havia um episódio com o Dr. Abobrinha (especulador imobiliário interpretado por Pascoal da Conceição que sempre tentava comprar o castelo para derrubá-lo e construir um prédio no lugar), a criança perguntava: "onde o Nino vai morar?".

Para essa criança, o castelo simbolizava uma moradia.

Castelo Rá-Tim-Bum - A exposição

MIS/Divulgação

Na mostra realizada no MIS, em São Paulo, os visitantes podem conferir objetos de cena, fotografias, figurinos dos personagens e trechos do programa. Também é possível entrar, literalmente, no castelo. Foram recriados na exposição mais de dez ambientes do programa, como o saguão e a biblioteca. Os ingressos antecipados para exposição estão esgotados, porém é possível comprar entradas na hora. A abertura da mostra foi nesta quarta-feira e foi um assunto bastante comentado na web.

20 anos do Castelo Rá Tim Bum por vários artistas



A página do Facebook 20 anos de Castelo Rá-Tim-Bum, alimentada por vários artistas, reúne ilustrações envolvendo o programa. São 50 desenhos feitos por 50 artistas diferentes para representar variados elementos do castelo – como personagens principais, secundários, visitantes e cenários.

Desconstruindo o Castelo – O Boom do Rá-Tim-Bum

Documentário, que foi produzido como trabalho de conclusão de alunos de Rádio e TV da Universidade Anhembi Morumbi, apresenta depoimentos do elenco e da equipe para explorar o universo do castelo. O vídeo foi assinado pelos alunos Fabio Singillo, Flavinha Carsall, Flávio Tavares, Guilherme Scarpari, Isa Spada, Karina Bufato, Laércio Franciolli e Maura Magalhães. Assista:



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