Coluna Pampianas

Luiz Coronel: "No 20 de setembro, o Galo se adornou de pilchas mais galhardas e se foi para as bailantas do CTG"

O colunista escreve mensalmente no 2º Caderno

12/07/2014 | 06h01

Que cuera bem emplumado esse tal de Dilermando Riobaldo. Guri de mandalete, já andarilhava com passos de gavião em vigia. Não se sabe onde o taura foi buscar aqueles empenhos estufados, por parte de pai e mãe, nada de galas, ante gente de olhos mansos e andar jeitoso. O guri nasceu para ser baliza de banda marcial, dizia o Seu Altamiro. Se formos rijos nas apreciações, o personagem não andava. Tomava posse dos caminhos. Cresceu assim, amassando capim. Aqui com meus botões, o mencionado estava mais para pavão do que para galo. Tão a sério levou as parecenças, que nas refeições comia milho verde de aperitivo e canjica de sobremesa.

A gurizada moleque se escondia dentro dos arbustos e dava o canto do galo só pra azucrinar a paciência do refestelado. Cocoricocó! Cocoricocó! E o bicho velho mais se empertigava. No dia 20 de setembro, o Galo se adornou de pilchas mais galhardas e se foi para as bailantas do CTG. Dançou milongas, xotes e vanerões, saracoteando faceiro pelos salões engalanados de lanças e bandeiras. Os retratos solenes do Bento Gonçalves e do Garibaldi olhavam de soslaio para aqueles volteios alarifes.

Chegando em casa, meio grogue de caipiras, postou-se frente ao largo espelho do banheiro e, à medida que desvestia as pilchas, puxava da guaiaca das vaidades laudatórias exclamativas:

– Vai em frente, Galo! Êta galo que deu dos buenos, carajo!

Dona Ernestina, sua esposa, entreolhava pela fresta da porta o desvanecido encantamento do seu galo. Lá pelas tantas, até uma pacata mulher perde as estribeiras. Nos permeios e medeiros discursivos, quando o gaudério elevou a voz para mais uma cocoricagem, ela entreverou-se áspera e incisiva:

– Dilermando, deixa de ser ridículo! Um homem da sua idade montado num espanador... Deixa de fanfarronadas de galinheiro e vem para a cama assumir teus compromissos. Solta as penas e vem pro terreiro dos lençóis, galo velho. Assume tuas incumbências. Antes da estrela boieira aluminar as aguadas, quero te ver cantar três vezes sem pedir água por senha, seu galo de mil alardes, vem, afia as esporas que a cantoria tá pronta.

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