Um morto muito vivo

Daniel de Oliveira fala de seu personagem em "O Rebu" e dos projetos no cinema

Em entrevista a ZH, o ator afirmou que espera novo convite do diretor Jorge Furtado para gravar no Estado

16/08/2014 | 16h03
Daniel de Oliveira fala de seu personagem em "O Rebu" e dos projetos no cinema  TV Globo/Divulgação
Em "O Rebu", Daniel Oliveira interpreta o ambicioso Bruno Foto: TV Globo / Divulgação

Seis anos depois de ser consagrado com o Kikito de melhor ator no Festival de Cinema de Gramado, por A Festa da Menina Morta, Daniel de Oliveira voltou à serra gaúcha para apresentar A Estrada 47, filme na competição de longas brasileiros do qual é protagonista ao lado do gaúcho Júlio Andrade, seu parceiro na novela O Rebu. Com locações na Itália e dirigido por Vicente Ferraz, A Estrada 47 conta a história real de um pelotão de engenharia da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que se vê diante da perigosa missão de limpar um caminho minado com importância estratégica na II Guerra. Oliveira circulou por Gramado com sua namorada, a atriz Sophie Charlotte, também do elenco de O Rebu. Em entrevista a ZH, ele falou sobre os rumos da novela das 23h da Globo e da vontade em voltar a trabalhar no Estado, após ter realizado com a Casa de Cinema de Porto Alegre produções para a Globo como Decamerão – A Comédia do Sexo, A História do Amor e Doce de Mãe:

– Adoro trabalhar com o Jorge Furtado. Convite dele é convocação. Vou na hora.

Você tem trabalhado muito no cinema, mas na televisão seus projetos têm sido de curta duração, como o seriado Doce de Mãe e, agora, O Rebu. Qual seu critério de escolha?

Tento conciliar cinema e televisão. Tenho feito projetos muito bacanas na TV, mas um com duração mais longa está fora dos meus planos, pois quero ter tempo para fazer trabalhos que me permitam sair um pouco do circuito. Gosto de viajar, pesquisar de forma aprofundada um personagem e uma história. Depois de O Rebu, não tenho trabalho na TV em vista.

E como está sendo o trabalho em O Rebu? A narrativa embaralhada e o mistério da trama impõem particularidades nas gravações?

Meu personagem (Bruno) é um morto muito vivo, pois continua bem presente na trama. As gravações são completamente fora de ordem cronológica. É incrível. Esses dias, vi um cena minha com a Sophie que foi uma das primeiras que a gente gravou, em Buenos Aires, em março. Tem que estar afiado porque os capítulos vão chegando e revelando surpresas e reviravoltas. Ninguém sabe quem "me matou", por exemplo, para evitar que a informação vaze. Agora no finzinho vamos gravar diferentes finais para despistar a imprensa. Temos gravações até o dia de exibição do último capítulo, em setembro.

Como foi sua experiência de fazer com a Alice Braga um seriado para o YouTube, Latitudes, exibido também no canal TNT?

E vai chegar ao cinema também. Não estava previsto no projeto original, mas adaptamos a série em um longa-metragem que já está percorrendo festivais na Europa. Latitudes foi um trabalho entre parceiros e amigos. Eu e a Alice queríamos viajar pelo mundo fazendo algo legal. Ganhamos o prêmio de melhor seriado da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). São novas possiblidades de produção brotando com a internet e os canais de TV por assinatura, o que é bom para atores, diretores, roteiristas, técnicos e, lógico, o público.

Além de A Estrada 47, quais outros filmes seus estão a caminho?

Acabei de fazer Órfãos do Eldorado, do Guilherme Coelho (adaptação do romance homônimo do escritor Milton Hatoum). Agora há pouco, foi exibido no Festival de Paulínia Sangue Azul, um filme muito forte do Lírio Ferreira, no qual vivo um cara que tem um relação incestuosa com a irmã. Tenho como parceiro ótimos atores, como Sandra Corveloni, Caroline Abras, Matheus Nachtergaele, Ruy Guerra, Paulo César Pereio e Milhem Cortaz. E tem o Romance Policial, do Jorge Durán, em que faço um escritor que viaja para o deserto do Atacama, no Chile, e acaba envolvido em um crime misterioso.

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