Coluna

Luciano Alabarse: "Não gosto do clima apocalíptico que antecede as eleições"

O colunista escreve quinzenalmente no 2º Caderno

07/08/2014 | 05h01

Sou um esquerdista desconfiado, como diria Caetano. Nunca me filiei a partidos políticos, admiro políticos de partidos diferentes e quero votar certo. Não vou anular meu voto nem acionar o piloto automático na urna. Sem triunfalismo e sem demagogia. Não gosto do clima apocalíptico que antecede as eleições brasileiras. A demonização do adversário, hoje prática corrente, é uma atitude deletéria. A ideia absolutista que marcou a história das religiões se deslocou, no Brasil, para a disputa política. Quem disse isso foi o Gabeira, em artigo de jornal. Eleição não deveria ser sinônimo de reducionismo pragmático. Nem de vitória a qualquer preço.

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Num mundo cada vez mais beligerante (calote argentino/ avião derrubado na Ucrânia/ epidemia do ebola/ bombardeios em Gaza/ sequestro de meninas na Nigéria), o fanatismo partidário só atrapalha. Não gosto da expressão ou da ideia de ser “soldado do partido”. Nem do partido/ nem do teatro/ nem de nada: não sou soldado. Onde querem revólver, sou coqueiro.

Se apresento dúvidas quanto à próxima eleição, quando o assunto é música ostento certezas claras. Corpo de Baile, o novíssimo CD de Mônica Salmaso, debruçado sobre parcerias de Guinga e Paulo César Pinheiro, é um disco excepcional.  Os parceiros brigaram feio, e há 20 anos não se falam. Paulo Cesar sequer chama Guinga pelo nome. Salmaso resgatou antológicas composições da dupla e, de lambuja, nos apresenta seis canções inéditas. Se você não conhece o trabalho da Mônica, mas gosta da MPB que passa ao largo das Annitas, Telós e Popozudas, esse é “o” disco. Pérola para poucos, parodiando Wisnik.

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