Caminhos do Lupi

Passeio de ônibus de Porto Alegre conta a história de Lupicínio Rodrigues

Projeto da Carris é gratuito e ocorrerá nos sábados de setembro

05/09/2014 | 08h01
Passeio de ônibus de Porto Alegre conta a história de Lupicínio Rodrigues Arte de Fraga/Agência RBS
Carris promove o projeto "Caminhos do Lupi", em homenagem ao centenário do compositor Foto: Arte de Fraga / Agência RBS

A Carris inicia neste sábado uma série de passeios especiais para celebrar o centenário de nascimento de um célebre ex-funcionário, nascido em 16 de setembro de 1914: Lupicínio Rodrigues. O projeto Caminhos do Lupi vai levar passageiros em um ônibus por pontos de Porto Alegre que foram cenário da história do compositor na Capital. As saídas serão aos sábados de setembro, às 15h, no Largo Zumbi do Palmares. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo telefone (51) 3289-2168, de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Confira o roteiro do ônibus:

Ilhota – O passeio começa pela região onde Lupi nasceu, no bairro então chamado Ilhota. O nome fazia referência aos constantes alagamentos que moradores enfrentavam por conta da proximidade dos arroios Dilúvio e Cascatinha. Localizado onde hoje há o Centro Municipal de Cultura com o nome de Lupi, o bairro era considerado periférico e tinha considerável vida boêmia.

Cine Garibaldi – Cinema onde Lupicínio vendia balas e pastéis ainda na infância. Localizado na Venâncio Aires, próximo à Praça Garibaldi, acomodava cerca de mil pessoas e costumava ser muito movimentado nos anos 1920 e 1930, quando havia várias opções de cinemas de bairros na Capital. O Cine Garibaldi passou a se chamar ABC nos anos 1960, até ser fechado em 1994.

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Rua João Alfredo – Antigamente chamada de Rua da Margem, já era um destino da boemia porto-alegrense na adolescência de Lupi. Nesse contexto, ele compôs sua primeira canção, Carnaval. A composição foi apresentada ao público no Carnaval de 1928, quando Lupi a cantou ao lado dos companheiros da Banda Furiosa. Lupi tinha apenas 13 anos.

Antiga Carris – Preocupado em garantir um futuro para o filho longe da música e da boemia, o pai de Lupi encontrou um trabalho para o jovem na Carris. Na oficina da companhia, que se localizava nas proximidades do viaduto Loureiro da Silva (Avenida João Pessoa), o adolescente passou a exercer a função de aprendiz de mecânico, mas abandonou o posto em poucos meses.

Batalhão de Caçadores – Em 1931, o pai de Lupi o apresentou como voluntário no Sétimo Batalhão de Caçadores (Avenida João Pessoa com Duque de Caxias), na esperança de que o quartel oferecesse ao filho outra ocupação além da música. Com 16 anos, o jovem foi promovido a cabo e transferido para Santa Maria, onde ficou noivo e teve suas primeiras dores de cotovelo.

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UFRGS – Depois de sair do Exército, em 1935, Lupi passou a trabalhar como bedel na Faculdade de Direito da UFRGS (João Pessoa, 80). Sua prioridade continuou sendo a música: em 1939, reuniu suas economias e foi de navio para o Rio, onde apresentou seus sambas para músicos conhecidos da época. Aposentou-se precocemente, por problemas no pulmão.

Mercado Público – Cenário muito visitado por Lupi, o Mercado Público e seus entornos eram repletos de bares e restaurantes na década de 1940. Durante os passeios promovidos pela Carris, os passageiros serão convidados a descer por 15 minutos e visitar os restaurantes Naval e Gambrinus, onde poderão ouvir histórias vividas por Lupi e amigos boêmios.

Baixada – A Baixada (próxima ao Parcão) foi o primeiro estádio do Grêmio, time pelo qual Lupicínio torcia e para o qual compôs seu hino. Os primeiros versos da música – "Até a pé nós iremos / Para o que der e vier" – teriam sido criados quando o compositor viu um grande número de gremistas caminhando para o estádio. Era a greve dos bondes, em 1953.

Rua Cabo Rocha – Via de má fama em Porto Alegre, então conhecida por seus cabarés populares. Hoje chamada de Rua Professor Freitas de Castro, era frequentada por Lupi, que cantava suas canções nas mesas de alguns bares. Reza a lenda que muitos marinheiros que frequentavam o local teriam ajudado a difundir as músicas de Lupicínio, interpretando-as em outros portos.

Travessa dos Venezianos – Em torno das 17h, o passeio se encerra nesta travessa, que ainda mantém construções que abrigavam sociedades carnavalescas do início do século 20. A despedida se dá em clima de festa, com roda de samba aberta ao público em geral. Nos dias 6 e 20 de setembro, a apresentação fica por conta do grupo Tô de Boa. Já nos dias 13 e 27 é a vez do trio Um Toque de MPB. Em caso de chuva, o evento de encerramento será cancelado, mas o passeio pelos demais pontos não será alterado.

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