
Laços de sangue são suficientes para caracterizar uma família? Ou é o afeto que legitima as relações familiares? Questões como essas são o ponto de partida de Sete Vidas, próxima novelas das 18h da Globo, que estreia em 9 de março.
Escrita por Lícia Manzo, a trama vai contar a história de Miguel (Domingos Montagner), um aventureiro solitário que se apaixona pela jornalista Lígia (Deborah Bloch), mas decide fugir deste sentimento e embarca em uma viagem para a Antártica. Mais tarde, depois de se recuperar de um acidente, ele descobre que teve um filho com seu grande amor e também é pai de outros seis jovens, gerados por conta de uma doação de sêmen que fez na juventude.
A ideia para a trama veio de um fato real: um site onde meios-irmãos gerados por inseminação artificial podem se encontrar.
- A família se transformou de forma profunda. Onde falta tradição, o afeto legitima os laços. Assim que soube que meios-irmãos filhos de doadores se procuram com intenção de conviver como família, percebi que seria um tema perfeito para uma novela - explicou a autora na apresentação da novela, na terça-feira passada.
Após a bem-sucedida estreia com A Vida da Gente (2011), Lícia é reconhecida por abordar temas do cotidiano e construir personagens humanos - sem traços de maldade absoluta ou com bondade total -, tanto que é tida como uma possível sucessora de Manoel Carlos. Rótulo que ela faz questão de afastar:
- Seria uma pretensão da minha parte me considerar uma herdeira do Maneco. Tenho muito respeito por ele e por seu trabalho. Essa comparação vem do fato de que as novelas dele têm enfoque humano, que tendem a ser meus temas também. Mas é um título não merecido.
Assim como Maneco, Lícia gosta de trabalhar com Jayme Monjardim - que em 2014 dirigiu Em Família, a última novela do veterano autor. O diretor e a escritora repetem a parceria e, novamente, focam no cotidiano.
- É uma novela na qual o vilão é a vida e os acontecimentos do dia a dia. Não temos mortes e assassinatos nem arquétipos. O cotidiano e suas dificuldades estão retratados ali - disse Monjardim no evento.
Além de Domingos Montagner e Debora Bloch, a novela marca o retorno de Regina Duarte a uma trama completa.
* A jornalista viajou a convite da TV Globo
PARA FICAR DE OLHOA
Produção caprichada
Com belas imagens e um ritmo semelhante ao de minissérie, a nova novela vai reviver o clima das manifestações populares de 2013, com cenas de confronto com a polícia, e imagens gravadas em alto-mar.
Cenários desafiadores
Sete Vidas terá a Patagônia Argentina e Fernando de Noronha como cenários. Em terras hermanas, a produção gravou por 30 dias e contou com 50 pessoas, entre elas os atores Domingos Montagner, Debora Bloch, Isabelle Drummond e Leonardo Medeiros.
Menos é mais
O conceito estético é baseado no naturalismo. A caracterização está sob o comando de Marisa Armenta, profissional muito requisitada pelo cinema argentino - ela tem no currículo Diários de Motocicleta e Relatos Selvagens. A maquiagem, na maioria dos casos, será apenas corretiva.