Livros

Conheça a literatura gaúcha que tem conquistado o mercado internacional

Autores ganham projeção no Exterior a partir de incentivos federais para a tradução de livros brasileiros

Por: Alexandre Lucchese
26/05/2015 - 16h46min
Conheça a literatura gaúcha que tem conquistado o mercado internacional Arte sobre divulgação e Agência RBS/Reprodução
Acima: Tailor Diniz, Alcy Cheuiche e Michel Laub. Abaixo: Daniel Galera, Amilcar Bettega e Carol Bensimon Foto: Arte sobre divulgação e Agência RBS / Reprodução  

Em meados dos anos 1990, o escritor Alcy Cheuiche recebeu um telefonema que lhe causou surpresa: um editor alemão queria saber se poderia publicar o livro Ana sem Terra em seu país, pois um leitor compatriota que esteve no Brasil lhe recomendara a obra. Duas décadas depois, histórias como essa, em que o sucesso de um livro brasileiro no Exterior era dependente do entusiasmo de aficionados por literatura versados em português, já não são a regra. Com um mercado de traduções cada vez mais profissionalizado, muitos mais autores nacionais têm ganhado o mundo, incluindo gaúchos como Michel Laub e Daniel Galera.

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A grande mudança nesse cenário se deu em 2012, quando a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) recebeu um incremento vertiginoso de recursos para o Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, que funciona desde os anos 1990 _ o salto foi de R$ 314 mil para 1,24 milhão, seguido de R$ 2,19 milhões e R$ 1,87 milhão nos anos seguintes. Parte do resultado disso pôde ser visto na Feira de Frankfurt de 2013, ano em que o Brasil foi o país homenageado do encontro e apresentou um catálogo com mais de cem novas traduções para o alemão de autores de diferentes gerações.

O programa da FBN possibilita que editoras estrangeiras recebam bolsas de até US$ 8 mil para traduções de livros brasileiros de literatura e humanidades.

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– Antes da bolsa, deixei de concluir boas vendas, pois muitos países têm programas semelhantes, então os editores estrangeiros já esperam por esse auxílio – conta a agente literária Lucia Riff.

O movimento fez com que editoras se dedicassem com mais força para prospectar traduções. A Companhia das Letras, por exemplo, trabalha há cerca de um ano e meio com mais uma pessoa no setor de aquisições e vendas para o Exterior – antes, os trabalhos de compra e venda eram atribuições de um mesmo profissional.

– Não somos reativos ao mercado externo, e sim propositivos. Participamos de encontros e enviamos trechos de livros traduzidos para outros editores – conta Rita Mattar, responsável pelas vendas da Companhia.

Entre os autores da editora, Michel Laub e Daniel Galera têm colhido bons resultados. Publicado há menos de três anos, Barba Ensopada de Sangue, de Galera, já foi negociado para 16 países. No mês passado, Laub acertou as traduções de A Maçã Envenenada (2013) para o francês e o inglês – seu Diário da Queda (2011) foi vendido para 12 mercados editoriais. Outro destaque da nova geração da literatura gaúcha, Carol Bensimon terá dois livros traduzidos para o espanhol. Todos Nós Adorávamos Caubóis (2013) será lançado na Espanha no próximo mês, e Pó de Parede (2008) chegará em breve à Argentina.

Mas a lista de autores gaúchos traduzidos é bem maior. Nomes como Paulo Scott, Amilcar Bettega, Tailor Diniz, Luiz Antonio de Assis Brasil e Altair Martins também ganharam edições recentes fora do país, tendo como destinos principais França, Alemanha, Itália, Portugal e América Latina. Depois da boa aceitação de Ana sem Terra na Alemanha, Alcy Cheuiche também lançou naquele país Sepé Tiaraju (1975), tradução que será relançada em edição bilíngue nesta quinta-feira, com fotos de Leonid Streliaev, às 18h30min, no Teatro Bruno Kiefer.

Mas há desafios a caminho: dependentes de programas governamentais como o da FBN, as traduções brasileiras podem ser impactadas pela retração da economia.

– Ainda não recebemos o orçamento para este ano, mas um corte seria compreensível diante do cenário econômico que vivemos. Por outro lado, o programa de apoio a traduções tem muito êxito, o que nos faz crer que terá continuidade – diz Fabio Lima, da FBN.

 
 
 
 
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