Comportamento

Sabina Deweik, caçadora de tendências pioneira no Brasil: "Sair grifado dos pés à cabeça era bacana, agora não é mais"

Especialista em captar mudanças de comportamento, a jornalista tem no currículo clientes como as grifes Veuve Clicquot, Havaianas e Petrobras, e foi a responsável por criar o primeiro curso de cool hunting no Brasil

05/12/2015 - 09h01min
Sabina Deweik, caçadora de tendências pioneira no Brasil: "Sair grifado dos pés à cabeça era bacana, agora não é mais" Andréa Graiz/Agencia RBS
Foto: Andréa Graiz / Agencia RBS  

Apesar de boa parte das pessoas ainda ficar com um enorme ponto de interrogação em mente quando escuta o termo cool hunter (veja a explicação abaixo), Sabina Deweik garante: a atividade tem influência sob quase todos os produtos com que temos contato. Caçadora de tendências e especialista em captar mudanças de comportamento, a jornalista tem no currículo clientes como as grifes Veuve Clicquot, Havaianas e Petrobras, e foi a responsável por criar o primeiro curso de cool hunting no Brasil, em 1999, pelo Istituto Europeo di Design.

– É uma metodologia de observação de sinais emergentes da sociedade. Trata-se de uma ferramenta para auxiliar as empresas a observarem o comportamento humano no mundo – explica a paulista que passou por Porto Alegre para ministrar um workshop promovido pelo Instituto Rio Moda em parceria com a consultoria de marketing gaúcha Hub77.

Cabe ao cool hunter “radiografar” pessoas, cidades e comportamentos para descobrir tendências e sinalizar quais os passos que as empresas devem tomar para alcançar metas e sucesso. Ter acesso ao que ainda não foi verbalizado e apresentado ao mundo é o grande desafio da atividade. Sabina usa o mestre Steve Jobs para exemplificar a profissão:

 – Ele não foi perguntar aos seus consumidores o que eles queriam antes de lançar o iPhone. Porém, um grupo precursor já demonstrava sinais de afinidade com tecnologia amigáveis, e imaginava facilidades como o touch e compartilhamentos. As manifestações vêm a partir de produtos, lugares, filmes, músicas, arquitetura. Tudo dá mecanismos para entendermos o que as pessoas querem, quais são os novos valores e o que é importante para elas no momento.

Atualmente representante brasileira do Future Concept Lab, centro de pesquisa original de Milão, Sabina aponta tendências nacionais:

– Sair grifado dos pés à cabeça era bacana, agora não é mais. Queremos ter experiências, comprar orgânicos, trocar as roupas com os amigos e usar transporte coletivo. Somos um país relacional, e as pessoas e as empresas mundiais estão olhando para nós. Ela complementa e arrisca afirmar quais são os novos objetos de desejo de uma geração:

– Se antes o sonho de um cara de 18 anos era ter uma carreira corporativa e o carro do ano, agora é viajar, ser empreendedor e colaborar com o mundo. Estamos recuperando o senso do coletivo com uma economia criativa que envolve escritórios compartilhados, brechós, hortas urbanas, food tucks e atividades em praças.

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Cool hunter:
É o profissional que é contratado por determinada marca ou empresa com a missão de perceber e identificar tendências, comportamentos e estilos e antecipá-los ao cliente. Na prática, trata- se de um pesquisador que precisa observar diversas áreas, como moda, arquitetura, literatura, música e cinema em um âgulo 360 º para apresentar um olhar diferente das pesquisas tradicionais de mercado.

 
 
 
 
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