Cinema

"Bruxa de Blair" é sequência histérica  e vazia de gritos, correria e sustos

Novo filme atualiza produção original, mas se perde em maneirismos

14/09/2016 - 04h01min | Atualizada em 15/09/2016 - 22h33min
"Bruxa de Blair" é sequência histérica  e vazia de gritos, correria e sustos Lionsgate/Divulgação
Foto: Lionsgate / Divulgação

Em 1999, filmagens encontradas que mostravam um grupo de jovens sendo atacados por uma força sobrenatural causaram sensação nos cinemas. Em 2016, filmagens encontradas que mostram um grupo de jovens sendo atacados por uma força sobrenatural devem causar mal estar nos cinemas. Mas pelos motivos errados.

Lançado há 17 anos, The Blair witch project (A bruxa de Blair, no Brasil) foi desses sucessos independentes inesperados. Aclamado pela crítica como revolucionário, rendeu um total de US$ 248 milhões – tendo custado meros US$ 60 mil. De quebra, popularizou o subgênero conhecido por "found footage", que se baseia em filmagens amadoras (logo, "autênticas") encontradas aleatoriamente.

Bruxa de Blair, produção dos estúdios Lionsgate, refaz o caminho do filme original atualizando o produto para a geração que não pegou o fenômeno de 1999. Temos uma turma de rapazes e moças perdida na floresta, mas que usa câmeras digitais e um drone ao invés de filmadoras analógicas e, no lugar 
do fino suspense gravado à luz do dia que sustentava A bruxa de Blair, muita correria, sustos e gritaria no escuro. Em alguns momentos, parece que a única linha de diálogo que os atores precisaram decorar foi o nome de outro personagem para berrar enquanto corriam pelo mato.

É tanto grito e câmera chacoalhando que bem parece que as filmagens foram feitas dentro de uma betoneira ligada. A sensação de enjoo é inevitável – como é inevitável, lá pelas tantas, começar a torcer para que a tal bruxa consiga logo o que deseja e coloque fim ao sofrimento (do espectador).

Talvez, por isso, Bruxa de Blair deva realmente agradar a quem cresceu acostumado ao ritmo frenético dos filhotes da bruxa, como as franquias Atividade paranormal e V/H/S (de onde, aliás, saiu seu diretor, Adam Wingard). Do contrário, sugiro dois comprimidos de Plasil antes da sessão.

 
 
 
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