Teatro

Grupo Magiluth traz referências filosóficas em espetáculo no Porto Alegre Em Cena

"O ano em que sonhamos perigosamente" tem título emprestado de livro do pensador esloveno Slavoj Zizek

Por: Fábio Prikladnicki
22/09/2016 - 08h01min | Atualizada em 22/09/2016 - 15h10min
Grupo Magiluth traz referências filosóficas em espetáculo no Porto Alegre Em Cena Renata Pires/Divulgação
Montagem sintetiza referências de ¿i¿ek, Deleuze e Tchékhov, entre outras Foto: Renata Pires / Divulgação

Com 12 anos de estrada, o grupo pernambucano Magiluth foi buscar na obra do filósofo esloveno Slavoj Zizek uma referência para o espetáculo que será apresentado nesta quinta (22/9) e sexta (23/9), às 19h, na Sala Álvaro Moreyra (Erico Verissimo, 307), dentro da programação do 23º Porto Alegre Em Cena, com ingressos a R$ 20. No livro O ano em que sonhamos perigosamente, Zizek analisa movimentos como a Primavera Árabe e Ocupe Wall Street. Na peça de mesmo título, o Magiluth expande as reflexões para a atualidade brasileira, aludindo ao movimento Ocupe Estelita, que se opõe a um empreendimento no cais do Recife. Pedro Wagner, que assina a direção e o texto (em parceria com Giordano Castro) e que é um dos atores do espetáculo, observa:

– Em uma entrevista, uma manifestante do Ocupe Wall Street diz: "Não temos agenda. Estamos aqui apenas para fumar um baseado e curtir bons momentos". Mas, ao mesmo tempo, essas pessoas estão se comportando com uma energia de enfrentamento muito grande. Ou seja, é uma geração extremamente contraditória.

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O espectador não deve esperar citações diretas a Zizek, nem a Gilles Deleuze, outra referência da montagem. Haverá breves cenas de peças de Tchékhov, como A gaivota, O jardim das cerejeiras e As três irmãs. Tudo muito bem misturado no caldeirão do Magiluth, traduzido em uma encenação na qual "o corpo é texto", nas palavras de Wagner:

– Vamos nos jogar um pouco na dança, nesse lugar do corpo. Mas não temos técnica de bailarinos, então nos jogamos nesse lugar contraditório. É possível fazer uma coreografia de corpos não dançáveis?

Entre os próximos projetos da companhia, estão um trabalho a partir da obra do poeta recifense Miró da Muribeca, com direção de Grace Passô (que apresentou neste Em Cena o solo Vaga carne), e uma adaptação de Hamlet. Sobre a capacidade de o teatro afetar a realidade, Wagner reflete:

O ano... viajou pra caramba, fez os principais festivais do país e temporadas regulares no Recife. Sempre atingimos poucas pessoas, mas acredito que é sempre um lugar radical e vertical. Em tempos de crise e de golpe, a arte grita.

O ANO EM QUE SONHAMOS PERIGOSAMENTE
Nesta quinta
(22/9) e sexta (23/9), às 19h.
Sala Álvaro Moreyra (Erico Verissimo, 307).
Ingressos: R$ 20.
Ponto de venda sem taxa: loja Myticket (Rua Padre Chagas, 327, loja 6): de segunda a sexta, das 9h às 18h; e sábados, das 10h às 15h.
Pontos de venda com taxa de 20% sobre o total da compra: site ingressospoaemcena.com.br e telefone (51) 3030-1500, ramal 512, de segunda a sexta, das 9 às 18h. Se ainda houver ingressos, serão vendidos nos teatros, uma hora antes das sessões (pagamento apenas em dinheiro).
Há desconto de 50% para sócio e acompanhante do Clube do Assinante.

 
 
 
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